segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

De mudança...

Finalmente me mudei para New Farm (de volta para onde morava antes de voltar para o Brasil) e estou bem ocupada desencaixotando coisas e arrumando tudo. Estou feliz: posso vir andando para o trabalho e gosto muito desse bairro, de poder fazer as coisas a pé, de estar perto do agito. Como boa carioca, estou acostumada a descer do prédio e ter tudo por perto, e ainda não me acostumei ao suburban lifestyle de morar meio longe de tudo e ter que usar o carro o tempo todo.

New Farm eh um bairro mais caro pois eh perto do centro (na Australia o centro eh chamado de CBD - Central Business District). Esse eh um dos suburbs mais agitados de Brisbane e na rua ao lado da minha casa deve ter pelo menos uns trinta restaurantes, alem de um supermercado aberto ateh a meia-noite todos os dias, raridade aqui por essas bandas. E o legal desse bairro eh que, mesmo com esse lado mais badalado, ele conserva aquela tranquilidade de cidade pequena que muitas cidades australianas ainda tem. Olha aih embaixo a distancia entre New Farm e o predio em que trabalho (e que fica bem no meio do centro). Tem que distanciar mais o mapa, tirando um pouco o zoom, pra ver melhor.


View Larger Map

Em 2006, assim que cheguei na Austrália, fiz esse vídeozinho abaixo para mostrar um pouco de Brisbane para a a família e amigos. O video mostra a casa que eu voltei a morar nessa semana. Na época que o vídeo foi feito eu dividia a casa com a Fabíola, Thalita e David e ainda nem conhecia o Aaron...



PS.: Tem um post no forno: sobre os preços de aluguéis e compra de imóveis na Austrália. Em breve ele sai, não desistam do blog.
PS 2: Ainda nao fui pra Tailandia.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Imigração australiana fecha as porteiras

Resumo das matérias do jornal O Dia Online e do Terra sobre as mudanças anunciadas ontem, dia 8 de fevereiro, pelo ministro de imigração australiano (Department of Immigration and Citizenship) :

O Governo da Austrália resolveu mudar as regras de concessão de residência a estrangeiros para conter o fluxo de imigrantes para o país. O ministro da Imigração australiano, Chris Evans, informou que a lista de profissões em falta no país vai ser abolida e a política de entrada de estrangeiros será concentrada em pessoas com alta qualificação profissional. (nota minha: antes existia uma lista com certas profissões em demanda na Austrália - engenheiros, trabalhadores da construção civil, médicos, arquitetos, chefs de cozinha, carpinteiros, cabaleireiros... eram mais de 50 profissões. Se a sua profissão estivesse nessa lista você teria preferência no processo de imigração para a Austrália, que é baseado no sistema de pontos).

"Temos dezenas de milhares de estudantes cursando culinária, contabilidade e (curso de) cabeleireiro porque isso estava na lista e permitiu que eles conseguissem a residência permanente", disse Evans a uma rádio australiana. (nota: é verdade, existem milhares de pessoas - e muitos brasileiros que conheço - que só fizeram esses cursos para conseguir o visto. Uma vez conseguido o visto permanente, essas pessoas vão trabalhar em outra área. O Aaron, meu marido que é chef de verdade, tinha horror a essa política, já que inundava o mercado com chefs que não sabiam nem segurar uma faca e colocava o salário dos chefs "reais" lá embaixo).

As novas prioridades vão incluir médicos e enfermeiras, além de engenheiros e profissionais da mineração, setor que encontra dificuldades para atender a crescente demanda por matéria-prima da China.

A mudança de política se junta a outras medidas introduzidas recentemente e que marcam um endurecimento na política de imigração do país (nota: depois da crise econômica os australianos ficaram com mais medo de terem menos empregos e deles serem tomados pelos estrangeiros. Junto a isso, esse é ano de eleição na Austrália, e obviamente essa política de imigração mais fechada agrada muito aos votantes).

Desde o final do ano passado, o governo passou a fazer novas exigências para a concessão de vistos a estudantes estrangeiros.

A renda mínima que um estudante tem que comprovar através de extratos bancários do seu o países de origem subiu de R$ 19 mil para R$ 29 mil por ano - uma média de R$ 2,5 mil por mês.

Ao solicitar o visto nas representações consulares australianas, além de apresentar os extratos bancários, os estudantes têm que apresentar documentos como matrícula em universidade ou comprovante de trabalho fixo, para provar que tem vínculo com o país de origem e condições financeiras de se sustentar na Austrália.

O Brasil é o sexto país que mais envia estudantes anualmente para a Austrália, atrás da Índia, China, Nepal, Coreia do Sul e Tailândia, respectivamente.

Informações oficiais direto do site da Imigração da Austrália aqui.

Mais, em inglês,  no
Daily Telegraph e ABC News.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Mil palavras

Escrevi bastante nos ultimos posts, por isso hoje vou apenas mostrar fotos que tirei aqui na Australia nos ultimos tres anos... (clique para aumenta-la)

(acima) Brisbane ao entardecer. Eu caminho perto desses predios no trajeto casa-trabalho-casa. Ao fundo a famosa Story Bridge, o CityCat no rio (transporte publico) e na calcada ao lado do rio, varios bares e restaurantes.

Vista panoramica. Do outro lado estah o bairro chamado Kangaroo Point.

 
Existe mais cliche do que isso? Mas tinha que ter. Essa foi tirada ha quase tres anos atras no Australia Zoo da familia Irwin, a 1 hora ao norte de Brisbane.

Eh isso que voce ve quando chega na Grande Barreira de Corais.


Falando nela...

Comentei sobre esse lugar nesse post: eh o Museu do Tubarao, em Airlie Beach, norte de Queensland (Dezembro de 2007).

 
Whitehaven Beach, Whitsundays Islands, Queensland.


Terminal-porto de Mackay, norte de Queensland (Dezembro de 2007). A producao de carvao do centro de Queensland eh ecoada pra cah, e no horizonte voce ve muitos, mas muitos navios esperando para se encherem de carvao e rumarem para os paises-compradores (provavelmente China).

Ao final daquele tubo o navio para e espera ser enchido de carvao.

 
Nascer do sol em Caloundra, uma hora ao norte de Brisbane (Maio de 2007).


Magnetic Island, em frente a cidade de Townsville, norte de Queensland. Soh pode cair dentro do espaco limitado por essas boias que seguram a rede contra aguas-vivas (Janeiro de 2008).

Beach Report, feito pelos salva-vidas toda manha, fala sobre as mares, correntes e condicoes do mar (Magnetic Island, Janeiro de 2008).

 
Melbourne (Marco de 2008).

  
Melbourne (Marco de 2008).


Noosa (Novembro de 2006).


Bondi Beach, Sydney (Novembro de 2006).


Vista de Brisbane, 2006


To be continued...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Você sabe que é um brasileiro na Austrália quando...

  1. Mesmo achando que está abafando com o seu melhor inglês, na hora que você fala “Hi how are you” alguém te pergunta de volta: “Hi where your accent come from?” (“De onde vem o seu sotaque” – uma forma sutil e bem australiana de perguntar de que país você vem);
  2. Quando lê uma porta com uma placa escrito “push”, você a puxa ao invés de empurrá-la;
  3. Você não entende por que todas as carnes e linguiças de um churrasco são feitas de uma só vez, e quando chega a hora de comer, já está tudo frio;
  4. Toda vez que você vai à praia, morre de saudades da cervejinha gelada, sorvete, milho cozido, água-de-coco etc sendo vendidos;
  5. No caso das mulheres, na praia você é a única a usar um biquini pequeno e acha que os biquinis australianos se parecem com fraldas (vale para calcinha também);
  6. Você é a pessoa mais animada do escritório em que trabalha: fala oi quando chega, oi quando vai almoçar e tchau quando vai embora;
  7. No trabalho, você não entende como os australianos conseguem almoçar na mesa, de frente pro computador, e odeia o cheiro de comida que fica no escritório na hora do almoço;
  8. Também no trabalho, é o único que escova os dentes depois do almoço;
  9. Você não consegue comer Vegemite de jeito nenhum e não se convence que isso faz bem pra saúde;
  10. Você aprende a viver em um país com leis e fica com vergonha do “jeitinho” brasileiro;
  11. Ainda não aprendeu a usar abridor de latas australiano;
  12. Não se acostuma a ter que levar sua sacola “verde” pro supermercado ou pagar por cada saco plástico usado;
  13. Mesmo nascendo em um dos países com a maior diversidade de pessoas do mundo, você identifica um brasileiro de longe;
  14. Você passa a usar cinto de segurança no banco de trás do carro e começa a não entender por que no Brasil isso ainda não é obrigatório;
  15. Você morre de saudades de pão fresquinho da padaria;
  16. Acha muito estranho não ter gente nas ruas, principalmente nos bairros mais afastados e se pergunta “meu Deus, cadê esse povo?”;
  17. Você tem medo de andar em uma faixa para pedestres pois acha que o carro não vai parar pra você;
  18. Pra você, hotel é lugar para dormir e não pra beber;
  19. No trabalho, você se sente meio culpado por sair as 5 já que estava acostumado a sempre sair tarde;
  20. Você acha estranho fast food ser tão barata e frutas e verduras, tão caras;
  21. Você não consegue se comunicar com 80% dos Customer Services e Call Centers por que não entende o sotaque indiano;
  22. Nunca entendeu por que os shopping centers fecham as 5:30 da tarde e se pergunta se os australianos não querem fazer dinheiro;
  23. Se acha o máximo por falar duas línguas (três vai, portunhol também conta), já que a maior parte dos australianos só fala uma;
  24. Adora finalmente poder morar em uma casa, e não em um apartamento;
  25. Acha que australiano fala “sorry” demais;
  26. Tem ódio mortal das moscas australianas;
  27. É a pessoa que fala mais alto em um restaurante, no ônibus, em uma loja, em qualquer lugar;
  28. Ama poder sair da praia e encontrar um chuveiro de água doce e um banheiro público limpo e gratuito;
  29. Não entende porque no trânsito, os carros ficam um atrás do outro em uma mesma fila enquanto a outra fila ao lado está completamente vazia;
  30. É o único que chega no bar e tenta chamar a atenção da atendente falando “hey”.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A história da gaúcha que morreu em Sydney

É o pesadelo de qualquer mãe ou pai: a sua filha vai morar do outro lado do mundo para estudar, fica na Austrália por três anos e, de repente, vira manchete nos jornais por ter sido encontrada morta, com apenas 22 anos de idade, no apartamento de 1,7 milhões de dólares de um neurocirurgião. O corpo foi descoberto quando o Dr. Suresh Surendranath Nair não apareceu para uma cirurgia e seus colegas chamaram a polícia, que arrombou a casa e encontrou o corpo da brasileira.

O caso já está na imprensa há algum tempo: ela foi encontrada morta no dia 21 de novembro passado e, desde então, já rolou muita especulação sobre o assunto. Suellen Domingues Zapua não trabalhava e recebia uma mesada dos pais para se manter e concluir o curso de Turismo e Hotelaria. Após dois meses e meio de investigação descobriram que ela morreu de overdose de cocaína.

Segundo a imprensa australiana tudo indicava que a menina era prostituta de luxo, mas a família e os amigos ouvidos falaram que era impossível – ou, se fosse verdade, seria o segredo mais bem guardado da história. Por outro lado, os vizinhos desse neurocirugião falaram que era muito comum ele receber a visita de “escorts” e várias garotas de programa foram vistas andando pelo prédio. Em fevereiro do ano passado outra menina de 23 anos (essa prostituta comprovada) morreu de overdose no hospital após consumir drogas no apartamento desse mesmo médico. O caso voltou para a midia hoje pois o médico foi finalmente acusado da morte delas duas.

Participo de uma comunidade na internet sobre a Australia composta por brasileiros e esse assunto gerou um acalorado debate: algumas pessoas acharam um absurdo a imprensa australiana manchar a reputação da menina dessa forma, afinal,  ela não era prostituta de jeito nenhum e que ela deve ter bebido algo em algum bar (o famoso Boa noite Cinderela) e, drogada por outra pessoa, não tinha consciência sobre o que estava fazendo. Outra coisa que muitos falaram foi que, como nós brasileiras temos uma péssima reputação mundo afora, fica muito mais "fácil" a imprensa australiana falar que a menina era prostituta – afinal, quem não vai acreditar? Alguns brasileiros querem limpar a imagem da Suellen e já até criaram uma página na internet para que as pessoas coloquem seu depoimento sobre a menina, forçando a imprensa a fazer uma “limpeza” na imagem que foi inicialmente propagada.

Falando tudo isso eu me sinto mexendo numa casa de marimbondos. Sinceramente, não conheço a menina, não conheço a família dela, não conheço nada e nem ninguém, só o que li nos jornais, no Orkut, em sites etc. Não posso dizer que ela era prostituta, que ela não era, quem ela era, quem não era, tudo o que eu falar será mera suposição com base nos fatos relatados por outros.

O que eu acho disso tudo é que o caso nos ensina muito. Primeiro, a não acreditar em tudo que se lê. A duvidar, e isso inclui duvidar também da bloguista aqui que vos fala - não por que eu sou uma mentirosa-manipuladora, mas por que, como falei na introdução desse post aqui, cada um inventa a novela e os atores na sua própria cabeça, e isso inclui jornalistas, escritores, bloguistas, engenheiros, garçons, mães de família – todo mundo. Mas é claro, jornalista deve apurar fatos, e é isso que deveria diferenciá-lo das pessoas que não tem o dever de escrever coisas com fatos comprovados como eles tem. É pra isso que jornalista estuda, faz faculdade – para aprender a não dar a sua opinião e sim, se limitar a esses fatos (a não ser que seja um colunista-jornalista, mas aí é outra história).

Segundo, que a mídia faz o que quiser com a nossa limitada cabeça – manipula, distorce, cria, mente, inventa. E que, por outro lado, nessa época de internet e de constante bombardeio de informação a que estamos sujeitos, ficamos mais perdidos do que cego em tiroteio, sem saber em quem confiar, em quem acreditar.

Por outro lado, não posso dizer categoricamente que a menina não era prostituta. Como é que euzinha, sentada aqui em uma casa de um bairro de Brisbane, sem conhecer a menina, posso saber? A mente humana é capaz de manter os mais profundos segredos. Não estou, de forma alguma, querendo dizer que ela era mas quero dizer apenas que não posso dizer nada com certeza absoluta sem te-la conhecido, sem conhecer a sua historia e apenas embasando a minha opiniao, mais uma vez, nos outros. Eu estaria me colocando no lugar do jornalista que escreveu a história dizendo que ela era prostituta.

Concordo com a causa dessa pagina no sentido de que o veículo que publicou que ela era uma deveria esclarecer que essa não é uma informacao comprovada e que eles nunca deveriam ter falado isso. Um belo mea-culpa, de repente com entrevistas da mae, familia, amigos mostrando o outro lado dela. Mas por questões puramente jornalísticas, e não pela emoção do fato (tipo “ah, ela era brasileira e temos que limpar a imagem dela”).   

 

Olha, no final das contas, nessa história toda só sei que nada sei. Não posso afirmar absolutamente nada, apenas supor (afinal, sou humana), e qualquer que seja a minha suposicao, prefiro não fazer isso aqui. Prefiro manter na minha cabeça. E seria muito bom se os jornalistas fizessem o mesmo - e tivessem feito desde o inicio das reportagens sobre a morte dela. 

Que Deus a tenha.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Post 2 – Jeitinho: Inglês Australiano

No post anterior sobre o “jeitinho” australiano eu falei um pouco sobre a forma com que eles se aproximam de pessoas novas/desconhecidas, do jeito morno deles se expressarem (aliás, vários brasileiros se identificaram com a nosso querido e onipresente ponto de exclamação, quase inexistente na escrita australiana), de planejarem encontros, do small talk... hoje vou me aprofundar um pouco no jeito deles falarem (principalmente o sotaque e as gírias).

Antes de começar é bom destacar que, se você está acostumado com o inglês americano de seriados e filmes, esquece. Um novo e inexplorado mundo se abre a sua frente. Assim como existe o português brasileiro e o português de Portugal, existe diferentes tipos de inglês (americano, da Inglaterra, indiano, canadense, sul-africano, australiano etc). Apesar de ter a mesma base, eles são diferentes e leva um bom tempo para se acostumar e pegar o jeito.

Pra mim as principais características seriam: o inglês australiano falado é totalmente anasalado e cheio de gírias. Só pra dar uma idéia do problema: comecei a trabalhar como garçonete na primeira semana que cheguei aqui, em 2006. Fui atender a um pedido e perguntei para o cliente “What would you like to drink?”, crente que estava abafando, já que meu inglês (americano) já era bom do Brasil. O cara me respondeu: “Ãn Duoieti Kõõõk”. “I beg your pardon? (?!??)” ““Ãn Duoieti Kõõõk mãait”. Ihh já era, não sei mais falar inglês, desaprendi. Pedi para uma australiana que trabalhava lá para voltar a mesa e perguntar pra mim (coitado do cara, depois perguntam por que australianos não tem muita paciência com estrangeiros). E aí, descobri: uma Diet Coke. Uma simples e singela Diet Coke. Putz, ferrou.

Alguns falam meio de boca fechada e com o tom de voz mais alto (o que, no final, não fica tão alto assim já que eles estão justamente de boca meio fechada). Diz a lenda que eles realmente falam de boca um pouco mais fechada por causa das moscas, que são muitas aqui na Austrália, principalmente no verão. E, quanto mais ao norte, pior o sotaque fica (e – acho que não por acaso - mais mosca tem). Quanto mais ocker (ocker é a versão australiana do americano redneck, que é aquele cara meio sem cultura, da working class), pior o sotaque. Alguns falam meio rápido, parece que cortam a palavra no final, a última sílaba desaparece.

Calma que nem todo mundo é assim. Já vi algumas pessoas falarem com o sotaque bem inglês (da Inglaterra), estilo Hugh Grant, mas é raro. Os apresentadores de jornais na televisão falam esse inglês mais carregado, mas me soa falso e forçado.

Na verdade a maioria fala com uma versão mais branda do sotaque anasalado. Mesmo assim, ainda é difícil de entender, principalmente no início. Não é só pelo sotaque, mas também, pelas (muitas) gírias. Enquanto para nós aumentar a palavra com inho ou inha a faz ficar mais leve e cordial, aqui é ao contrário: a palavra fica mais curta. Aprenda, é assim que se fala na Austrália (assim como no Brasil, não é todo mundo que usa essas gírias, mas muita gente usa):

Umbrella é brolly
Conversation é convo
Afternoon é arvo
Chocolate é choccie
Sandwich é sanga
Breakfast é brekky
Spaghetti bolognaise é spag boll
Picture é picky/piccie
Biscuit é bikky
Service Station (posto de gasolina) é servo
Barbecue is barbie

(e a lista é interminável)

Como os australianos adoooram falar informalmente (eles são os reis da informalidade, isso vai de usar o chinelo em todos os lugares a falar G’Day Mate para a Rainha da Inglaterra – sim, essa história é veridica), é muito comum escutar bikky, Andy (para Andrew), Stevo (para Steven), enfim, todas essas gírias enquanto eles conversam conosco, pobres brasileiros acostumados com o yankee English.

Esse site tem uma teoria que faz sentido:
Bearing in mind that our lowest class [i.e. the convicts] brought with it a peculiar language [to Australia], and is constantly supplied with fresh corruption, you will understand why pure English is not, and is not likely to become, the language of the colony.

Fora isso tudo, existem diversas palavras diferentes entre o inglês australiano e americano. Nesse link você encontrará muitas delas, vou colocar só alguns exemplos aqui:

Australia – American
Autumn – fall
Booking - reservation
Bottle shop - liquor store
CBD (Central Business District) - downtown
Cyclone - hurricane
Film (film star, film producer etc) - movie (movie star, movie producer etc)
Flat or unit - apartment
Footpath, pavement – sidewalk
Lawyer/solicitor – attorney
Rubbish bin (& rubbish tip) - trash can or garbage can (& garbage dump)
Holiday - vacation
Survey – poll
Queue – line

Ah, mudando um pouquinho de assunto, outra palavra que eles falam muito é sorry. Sorry pra tudo, chega até a ser chato. Às vezes não é culpa da pessoa ou é uma situação fora do controle dela, mas mesmo assim eles falam sorry.

Outra coisa que uma Australiana aqui do meu trabalho me mandou (sim, eu faço meu dever de casa e pergunto diretamente na fonte, e não só no Google tá?! Rsrs):
When Australians are asked how are you? and we reply "good thanks" and nothing more, I guess it’s partly because we are private people and on the other hand we are brought up to be tough and to not unload all of our problems on to other people. Also the Australian culture is not to let people see you cry because it is a sign of weakness, failure, vulnerability.

Por último, dá uma olhada nesse vídeo que você vai entender melhor tudo isso que eu falei.

Esse post tá mais parecendo uma aula né?! Chega por hoje, vou ficando por aqui.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Associações comunitárias: fazendo valer a voz do cidadão

Nesse final de semana li uma matéria excelente na revista Q Weekend, que vem encartada no jornal local de Brisbane The Courier Mail. O que mais me chamou a atenção foi a diferença nas atitudes de brasileiros e australianos na questão central da matéria, que falava sobre a imensa quantidade de associações comunitárias em Brisbane contra coisas que a população não concorda e não quer deixar acontecer.

Bem, deixa eu explicar melhor: como já falei algumas vezes pra vocês que lêem o blog (vejam aqui e aqui), Brisbane é a cidade que mais cresce na Austrália. Cresce em tudo: população, número de prédios, de necessidades estruturais (ex: novas antenas para telecomunicações etc), supermercados, lojas, calçadas, estradas etc etc. Muitas vezes esse crescimento acarreta, por exemplo, na demolição de prédios históricos que são substituídos por prédios altos e modernos, na construção de mega-supermercados em áreas muito tranquilas, na colocação de antenas de transmissão de dados perto de escolas... ou seja, inúmeras mudanças para a população que já mora aqui e que tem uma vidinha tranquila, e em sua maioria, pra eles essas mudanças são pra pior.

É claro que para o governo todas essas mudanças significam mais dinheiro arrecadado, então o que eles querem mesmo é que as mudanças sejam feitas. Os empresários, por questões óbvias, também. Quem sobra no meio, sem dinheiro e nem poder? A população. E o que eles fazem para serem ouvidos? Se juntam através dessas associações e assim, se defendem, gritam, esperneiam, mas não ficam quietos frente ao que acham que está errado, ao que podem mudar. E aí está a diferença. Por que uma coisa é reclamar numa mesa de bar, ou em um espaço de comentários de um grande jornal. Outra coisa é se organizar, juntar mais gente para dar mais força a sua defesa, ir ao local com cartazes e o escambau, fazer boicotes contra certas empresas que teimam em não ouvir a população, usar a internet como meio de comunicação para espalhar o assunto (nisso a Austrália tem vantagem já que tem muito mais gente conectada do que no Brasil). E é isso que eu não vejo nós, brasileiros, fazendo. Vejo um grito e outro, uma passeata aqui e acolá, mas não associações estruturadas e efetivas, fazendo cobranças ferrenhas e constantes sobre aquilo que não acham certo. Eu tomei a matéria como um belo exemplo pro Brasil. Sobre o poder que temos e que não usamos, e sobre como isso pode fazer a diferença.

Para ilustrar a matéria eles colocaram como exemplo uma nova antena de telecomunicações que a Telstra (a maior companhia telefônica da Austrália) quer colocar perto de uma escola em Mt-Cotha, que é o ponto mais alto de Brisbane. Muita gente não quer essa antena lá: moradores e pais das crianças que estudam nessa escola. O principal motivo deles não quererem a antena, veja só, é por que as ondas de rádio que transitam por ali podem afetar a saúde das crianças. Nada disso é comprovado cientificamente ainda, talvez essas ondas transmissoras nem sejam tão maléficas assim, mas por precaução – já que, daqui a 20 anos, podem descobrir que elas são altamente cancerígenas, por exemplo – eles preferem não expor as crianças.

Vasculhei a internet pra colocar o link pra matéria aqui, mas não encontrei (não é a primeira vez que não acho matérias online dessa revista). Seguem a foto da capa e da passeata contra a tal antena.

 
 

Foi mal mas ainda não tive tempo de escanear a matéria e colocá-la aqui. Se alguém gostou do assunto, escreve um comentário que eu faço isso tá? Matérias como essa são sempre boas e devem ser espalhadas por aí, por isso escanear não é perda de tempo, e sim, um investimento...