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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Brasil em Brisbane

Em 2005 quando comecei a pensar a morar em Brisbane, eu achava que quase não tinham brasileiros por aqui. Afinal, que cidade é essa? A maior parte dos brasileiros conhece Sydney e sua über-famosa Ópera House, e muitos já ouviram falar de Melbourne e sua semelhança com Londres. Sobre Brisbane eu tinha pouco ouvido falar - o que sabia era, inicialmente, pelos amigos australianos do meu irmão que moravam na cidade e iam todos os anos para o Rio. Depois, com a mudança dele para cá em 2004 eu obviamente comecei a ouvir falar mais, mas nunca pela imprensa ou grande mídia.

Quando finalmente decidi vir para Brisbane, conheci uma menina (a Tati - será que ela lê o blog?) que tinha morado seis meses em Brisbane em 2003. Foi a única brasileira que conhecia até então que já tinha morado na cidade. E aí veio a bomba: “Verinha, Brisbane é lo-ta-da de brasileiros”. Como assim, jura? “Lotada”, disse ela. Não combina. Por que Brisbane? Tenho que ver para crer.

Cheguei aqui pela primeira vez em julho de 2006 e no meu primeiro passeio pela rua principal – Queen Street Mall – já escutei português várias vezes e vi milhares de brasileiros de longe (por que a gente que é brasileiro sabe como é fácil identificar outro brasileiro). Quatro anos se passaram e continuo constatando a mesma coisa: Brisbane está infestada de brasileiros. Não é o fato de trabalhar em uma empresa brasileira que torna o meu julgamento parcial não – tem mesmo muito brasileiro por aqui. Aliás, pra quem ficou curioso, vou falar como eu consigo identificar um estudante brasileiro na rua:

1. As meninas estão sempre ou de roupa de ginástica com legging ou tênis grande, ou com alguma roupa justa. E sempre com cabelo liso e comprido (é claro que a escova progressiva já chegou por aqui).
2. Homens com camisa da seleção ou camisa de algum time de futebol. E boné.
3. Reclamando de dinheiro/falta de.
4. A maior parte no centro e em Spring Hill, quase não se vê brasileiros nos bairros um pouco mais afastados.
5. Brasileiros andam em grupos, sempre.
6. Falando português alto no telefone.
7. Brasileiro olha pra você quando passa por você na rua. Australiano não.

Claro que eu estou falando só dos estudantes, que são a grande maioria dos brasileiros aqui na Austrália. Além de milhares de estudantes, aqui em Brisbane também tem muita gente que veio trabalhar com emprego garantido e qualificação, e esses são mais difíceis de serem identificados (embora eu ache que os três últimos tópicos aí de cima se apliquem também). Fora isso, volta e meia quando estou em um restaurante vem algum brasileiro falando “oi, você é brasileira?”. Semana passada aconteceu isso. E aí, aquelas perguntas de praxe “O que você veio fazer aqui, está gostando, você é de que cidade, volta quando blá-blá-blá”.

E tem mais: quando conheço algum australiano e falo que sou brasileira, em 50% dos casos essse australiano tem algum amigo ou conhecido brasileiro. Já não comentei nesse post aqui que até o meu time de vôlei chama-se “Team Brazil” por coincidência, pois quem me convidou para entrar no time foi um australiano? Em Gold Coast, aqui pertinho de Brisbane, tem mais brasileiro ainda. Acho que lá é mais fácil encontrar um brasileiro do que um australiano.

Fatos: tem brasileiro mesmo?


Fui conferir se a percepção era realidade e, veja só o que achei no site do Australian Bureau of Statistics (que é como se fosse o “censo australiano”):

Between 1997 and 2007, of the 75 most common countries of birth [nota: das pessoas que vivem na Austrália], persons born in Sudan recorded the highest average annual growth rate (22% per year), followed by persons born in Bangladesh (12%), Afghanistan (11%) and Brazil (10%). [outra nota: sendo que dentre esses quatro países citados nós somos os únicos que não podemos vir na condição de refugiados]
Fonte aqui.

Short-term visitor arrivals to Australia during July 2008: Of those countries outside the top ten many recorded significant increases with short-term visitor arrivals more than doubling for Spain (5,500 movements) and Brazil (3,600 movements).
Fonte aqui.

Sobre os estudantes brasileiros, também achei isso:

In terms of enrolments, growth (26%) in the vocational education sector in 2006, compared to the previous year, was mostly due to large increases in enrolments from India (166%), Brazil (51%), the Republic of Korea (34%) and China (14%).
Fonte aqui.

Tentei achar o número de brasileiros aqui na Austrália mas confesso que não consegui encontrar (aqui eu achei por região do mundo mas não por país).

Agora eu pergunto: por que esse boom de brasileiros aqui nessa terra distante? Tô aqui coçando a cabeça mas não tenho uma explicação plausível, só suposições. Suponho que seja por que Sydney já esteja infestada (até mais) de brasileiros e eles acharam que iriam fugir de mais brasileiros vindo pra Brisbane (há, ledo engano). Suponho que seja por que aqui é mais barato do que Sydney (a diferença de preços não é enorme, mas existe). Suponho que seja por que aqui é perto de Gold Coast e o clima é mais quente. Ou tambem suponho que o crescimento não foi só em Brisbane mas que a Austrália tenha “virado moda” no Brasil já que os cursos são mais baratos que na Inglaterra (que é caro e frio) e dos Estados Unidos (que tem muito americano). Suponho que seja por que aqui na Austrália estudante possa trabalhar legalmente enquanto estuda, o que dá para amealhar uma graninha boa. Suponho que seja por que nos últimos 10 anos a passagem Brasil-Austrália esteja muito mais barata ou suponho que seja por que é relativamente fácil conseguir visto de residência na Austrália se comparado aos outros países (desenvolvidos) do mundo.

Ou uma conjunção desses fatores.

Sei lá.

O Brasil é aqui

Só sei que é claro que essa brasileirada toda que está aqui sente saudades do Brasil e das coisas de lá, e com esse crescimento no numero de brasileiros, crescem na mesma proporcao a quantidade de produtos, restaurantes e lugares brasileiros.

Fui lembrando e pesquisando sobre o que tem de “Brasil” por aqui e me surpreendi com a quantidade, veja só aí embaixo. E olha que essa lista é de Brisbane, a de Sydney seria muito maior:

Mundo Churrasco – Essa eu comentei há dois posts atrás: é a nova churrascaria brasileira que foi aberta em Paddington, um bairro aqui de Brisbane (tem filial em Sydney). Ela rola no mesmo estilo de algum Porcão ou Carretão da vida (inédito para australianos): muita fartura, mesa de buffet com saladas, aipim frito, pão de queijo, entradinhas diversas, carne no espeto com garçons servindo no seu prato... Enfim, aquilo que todo brasileiro conhece e ama agora tem aqui, por 29 dólares o rodízio. Estou pra ir há tempos mas ouvi falar que tem ficado lotado. Estou ansiosa pr air e depois conto como foi.

Pennisi Distribuidores – É onde vou quando quero comprar pão de queijo e feijão. Já falei de lá nesse post.

Garra Brazilian Jiu-Jitsu – Essa é a academia de Jiu Jitsu de um amigão nosso, o Eduardo, que dividia a casa com a gente. Tô pra fazer um post com ele há tempos! Os australianos amam Brazilian Jiu-Jitsu, tem várias academias na Austrália.

Rio Rhythmics (dança de salão) - Established in Brisbane in 1994 by Brazilian director Tarcisio Teatini-Climaco, Rio Rhythmics takes pride in teaching its students to dance authentic Latin dance - the way Latin American locals do! Essa é só um exemplo, tem diversas outras academias do gênero aqui em Brisbane.

Brazilian Portuguese – O Aaron já fez esse curso de curta temporada na University of Queensland. Conheço a professora, Eliane, mineira que mora há muitos anos em Brisbane. O interesse cresce a cada ano, e geralmente os alunos são namorados(as) de brasileiros ou australianos que conheceram algun brasileiro e querem viajar para o país.

Brazilian Beauty – Cadeia de salões de beleza em Brisbane que oferece, além da óbvia “Brazilian wax”, tratamentos de pele, manicure, pedicure, etc.

Brazilian Soccer Schools – Claro que tinha que ter alguma coisa relacionada a futebol.

Capoeira Cordão de Ouro – Segundo o site “Cordao de Ouro Australia was established in October 2008 and has been offering Capoeira classes in Brisbane since March 2009.”

Panela de Pressão – Sim, até isso tem aqui.

Brazilian Style Foods website – De acordo com o site, “Brazilian Style Foods is an importing wholesale company specialising in leading brands of traditional Brazilian food products direct from the producers. We are the exclusive Australian distributor for brands such as Yoki, Garoto chocolates, Predilecta, Café Do Ponto & Café Pilao. We proudly distribute an expanding range of Brazilian grocery products across Australia.”

Agora só falta a praia de Ipanema. Como é que traz?

PS: A parte do americano eu estava brincando viu. Hehe.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Churrasco coreano em Chinatown

Ontem tive uma experiência gastronômica inesquecível realizada aqui pertinho da minha casa em Chinatown. Pois é, não é só em Nova York, Londres, Berlim e São Paulo que tem Chinatown não, Brisbane também tem a sua. Obviamente a Ásia é vizinha da Austrália, com isso todas as grandes cidades australianas tem uma Chinatown (que, apesar do nome, tem muito mais do que só coisas da China). Em Melbourne e Sydney a Chinatown é enorme, assim como a de Nova York que é praticamente um bairro. Já aqui em Brisbane a "Chinatown" deveria se chamar "Chinablock" ou quase "Chinastreet" por razões óbvias. Mas mesmo sendo pequena, não deixa nada a dever as suas irmãs maiores.

Vista de Chinatown:



Se você está em Brisbane com vontade de comer comida chinesa, coreana, japonesa, vietnamita, tailandesa... o melhor lugar sem dúvida é ir a Chinatown, que acabou de passar por uma reforma e está com uma cara diferente, mais moderna mas ainda com um clássico toque oriental (mais dicas de comida asiática nesse post). Ontem a noite rumamos em direção a esse pedacinho da Ásia a procura de um bom jantar, Chinatown fica só a quatro quarteirões da minha casa. Andamos e andamos, já que a quantidade de restaurantes é enorme, sempre parando na porta dos lugares para ler os menus ou ver as fotos dos pratos (acho que é mania na Ásia – 90% dos restaurantes tem as fotos dos pratos na vitrine).

De repente um restaurante de churrasco coreano nos chamou a atenção. Ahm, como assim? Yeap, Korean BBQ. Olhamos as fotos e parecia uma delícia: um grill bem no meio da sua mesa, as garçonetes trazendo camarões, lulas, carnes, tudo cru e pronto para ser colocado nessa chapa quente bem a sua frente... hummm. Daí veio em nossa direção a garçonete coreana tentar nos convencer a entrar, falando com aquele sotaque carregado “Thirty dollars all you can eat, very very good”. Além de frutos do mar e carne, nesse preço estão incluídos entradas como gyoza, rolinho primavera, saladas de cogumelos ou salmão defumado com abacate, panquecas japonesas, pratos principais, sushi... olha uma parte do menu aí embaixo. Não precisava falar nada, já estávamos convencidos que era lá mesmo. Pra quem quiser saber, o nome do restaurante é Chingu e fica na rua principal de Chinatown.


Quando se chega no restaurante, é assim que a mesa está: o grill coberto por uma tampa feita de vidro estampada com desenhos asiáticos. Depois essa mesa vira uma bagunça.

O grill sem a tampa.

E a brincadeira começa...



Antes de entrar passamos em um Bottle Shop já que o restaurante era BYO (Bring Your Own) – já expliquei isso no blog, mas explico de novo: na Austrália ou os restaurantes são “fully licensed” (tem licença para vender álcool) ou são BYO (não vendem álcool mas em compensação você pode levar a sua bebida). Compramos duas garrafas de vinho e lá fomos nós.

Realmente é muito bom conhecer outras culturas: não é genial essa idéia de ter uma “churrasqueira” na sua própria mesa? Não sabia que isso era costume na Coréia, mas se é, já gosto mais da Coréia.

Eu e o Aaron moramos em uma casa grande e alugamos os quartos para estudantes para economizar dinheiro do aluguel. Em um quarto está um alemão, o Haka, e no outro quarto está um casal – ele canadense, o Dean, e ela coreana, a Rachel. Quando chegamos em casa contamos para ela que fomos nesse restaurante e ela não acreditou. Era assim que ela comia na Coréia. Aliás, comida coreana é super saudável, pouca fritura e muita comida natural e fresca (não processada). Vejo o que ela cozinha lá em casa e fico com vergonha dos meus misto-quentes.

Se você um dia for visitar a Austrália, não deixe de ir para algum restaurante asiático. Eu sempre me surpreendo e acabo experimentando comidas diferentes e até métodos diferentes como esse do grill na mesa. Eu não sinto falta de comida brasileira pois aqui tem tanta variedade... sinto falta sim de casas de sucos e sanduíches como Polis e etc, mas comida mesmo, não posso reclamar por que aqui tem de tudo. Até churrascaria brasileira tem aqui (abriram uma em Brisbane há duas semanas atrás). Mas essa eu conto depois.

Outono em Brisbane / festivais de paises

O frio está começando em Brisbane. Aliás, já começou: quando vou à piscina sinto a água muito mais gelada, e quando estou na sombra sinto frio. Neste momento – 14.22 hrs – está 22 graus. A noite parece que o ar condicionado está ligado, e de manhã antes de sair da cama para ir ao trabalho é aquele suplício. Não está rolando mais praião – fui a Gold Coast há duas semanas atrás e estava difícil tirar a camisa - apesar do típico céu azul de Queensland a brisa estava gelada, cair na água então nem pensar.

Brisbane é sub-tropical e está em uma latitude como se fosse entre Florianópolis e Porto Alegre – ou seja, é mais frio do que no Rio.

(clique para aumentar)

A minha estação preferida, tanto no Rio como em Brisbane, é o outono. Os dias mais azuis, as noites mais claras, as estrelas parecem até que brilham mais. E como o calor tanto do Rio como de Brisbane são infernais, parece que faz o outono ficar quase “refrescante”. Já vejo aquecedores ligados nos restaurantes, cachecóis, casacões, manga comprida e menos chinelos por aí (já devo ter comentado que os locais amam usar chinelo pra tudo), as lojas já estão cheias de roupas de inverno – algumas até em promoção – e já acendi duas vezes a lareira lá de casa. No outono as temperaturas ficam por volta de 15 a 25 graus, já no inverno entre 11 e 21 graus. Na serra ao sul de Queensland pode ter geadas mas assim como no Brasil é raro e sai nos jornais.

Previsão do clime em Brisbane de hoje até semana que vem.

Uma das razões que me fez escolher Brisbane foi o clima. Sydney é a maior ilusão da história: você sabia que de março a novembro é tao frio que fica quase impossível ir a praia? Pois é, Sydney não é o Rio não. Neste exato momento Sydney está a 18 graus enquanto Brisbane a 22. No inverno é comum fazer temperaturas inferiores a 10 graus e ter que usar casacão e cachecol o tempo todo. Já em Melbourne nem se fala, um frio daqueles: neste momento, no meio da tarde, faz 14 graus na cidade. E o problema de Melbourne é que o tempo muda constantemente pois venta muito: então pode amanhecer com um sol e calor daqueles, daí na hora do almoço o tempo muda e começa a chover e fazer frio, no final da tarde o céu abre e começa a fazer calor de novo, e a noite o frio está de volta. Melbourne é a cidade conhecida por ter “four seasons in a day”.

Confesso que... o único grande problema de ter um dia lindo de outono com céu azul (por que aqui sempre tem céu azul) e temperatura perfeita lá fora é você ter que trabalhar dentro de um escritório.

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Em compensacao... no final de semana voce soh quer aproveitar, e geralmente nessa epoca os parques de Brisbane ficam ainda mais cheios.

Eu jah falei que tem churrasqueira gratuita nos parques de Brisbane, basta apertar um botao que elas funcionam? Confesso que quando vejo isso a minha alma brasileira fica naturalmente pensando que no Rio com um negocio desses chegaria um cara e tomaria "conta do pedaco", "tipo assim churrasquinho tres real" e aquele vira o ponto dele e aih outro dia vem uma placa e escreve assim "Churrasquinho do Bene", no outro dia algumas mesas e cadeiras, cervejinha e sambinha rolando...

Churrasqueira comunitaria em parque no Rio, voce acha que dah?

Aqui leva multa se nao limpar depois de usar.

Me lembra que muitas pessoas parecem genuinamente se importar com o proximo. Jah cansei de ver por aqui, nessas tais churrasqueiras, um australiano-churrasqueiro apressando a carne por que reparou que outra pessoa/galera queria usar - depois ele limpa e lava a churrasqueira e entrega pro outro. Genial ne?

Ou sera que eh por causa da tal multa que eles se importam?

Ah, Tostines vende mais por que eh fresquinho ou eh fresquinho por que vende mais?

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Veja soh! Descobri que vao rolar algumas semanas de comemoracao a paises latinos aqui em Brisbane: Italian Week (que vai rodar as principais capitais da Australia e estarah em Brisbane de 26 de maio a 2 de junho ) e o Spanish Film festival (que mostra todos os filmes de lingua espanhola e nao soh os da Espanha e que tambem estarah aqui em Brisbane no final de maio).

Brisbane tem disso, as vezes sinto que ateh mais do que no Rio: a diversidade de culturas eh tao grande, e as comunidades dedicadas a cada uma sao tao fortes, que sempre rolam comemoracoes dedicadas a algum pais ou cultura/religiao. Eh semana do aborigene, semana do grego, do italiano, do espanhol... tem de tudo um poudo. Ateh mesmo Melbourne tem uma rua dedicada a Italia cheia de restaurantes italianos, outra rua grega, cheia de gregos, Chinatown, etc.

Sinto que as culturas na Australia, o sentido de "pertencer a um lugar", eh mais delineado e diferenciado enquanto no Rio eh mais uma mistureba danada, que deve ser ateh maior que na Australia. Mas eh uma mistura mais "socada", mais antiga, o que destaca ainda mais a ainda jovem historia da Australia. Essas semanas sao muito legais, vejo que ainda sao pequenas e fora do mainstream mas com otimo conteudo e iniciativa. Pretendo ver um filme e depois conto por aqui.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Últimas minhas e da Austrália

Comecei esse blog tão animada a escrever pelo menos três posts por semana – e ainda estou – mas, como já falei antes, o trabalho está realmente pesado e me consumindo, principalmente no ultimo mês. Quem já trabalhou na implementação de SAP sabe o que eu estou falando. Geralmente saia às 5 da tarde e quando chegava em casa ainda tinha ânimo de sentar no computador e escrever mais. Mas não, agora esse tempo acabou e são apenas memórias boas do passado. Justo eu, que às vezes reclamava que não tinha muita coisa pra fazer, agora não tenho tempo para fazer tudo o que tenho que fazer. Me lembra aquele velho ditado “cuidado com o que você pede pois o seu pedido pode ser atendido”. É, eu era feliz e não sabia.

Minha rotina tem sido chegar no trabalho às 8 da manhã e sair as 5.30, 6 da tarde. Hoje, por exemplo, cheguei no escritório às 7.30 da manhã e saí lá pelas 6 da tarde. Muitas vezes almoço sentada na mesa olhando pro computador. Ou seja, estou fazendo justamente o que eu criticava sobre a cultura australiana de não socializar na hora do almoço. Agora entendo bem o porquê deles fazerem isso, pelo menos pra mim, pois assim consigo de vez em quando sair as 5 da tarde e ir pro meu querido vôleizinho a noite.

Sabe que eu até gosto de chegar mais cedo e sair mais cedo do trabalho? No começo foi difícil me acostumar a acordar tão cedo, mas hoje em dia eu me adaptei. É tão bom saber que tenho a noite inteira pela frente... Acho que outro ponto é que não tenho saído a noite durante a semana ou feito alguma coisa com algum amigo como fazia tanto no Brasil (tá lendo isso Pedro?) – até faço, mas como já falei algumas vezes, aqui as pessoas acabam se encontrando mais cedo pra jantar, ou pra beber, ou seja lá o que for, “puxando” as horas para baixo.

Ah, e como falei, é claro, duas vezes por semana vou do trabalho direto pro vôlei de praia.

Vôlei de Praia em Brisbane
Falando nisso (pois vamos combinar que falar sobre vôlei é bem melhor do que falar sobre trabalho), descobri que aqui em Brisbane tem diversos lugares com vôlei de praia, mesmo sem ter praia na cidade. Como já falei nesse post, jogo vôlei de praia rebound todas as terças e agora, às quartas jogo vôlei de praia “normal”, sem ser o tal rebound. Conheci um dos integrantes do time em uma festa e ele comentou que jogava vôlei em uma praça em West End, perto do centro. Não deu outra , me ofereci para entrar no time e, há dois meses, jogo toda quarta com eles. A ironia é que o time se chama “Team Brazil” pois foi iniciado por uma brasileira (que quase não tem jogado pois torceu o pulso ou alguma coisa assim).

É engraçado como até em jogo de vôlei de praia o jeito dos australianos se comportarem é diferente dos brasileiros.Tenho a impressão que no Brasil somos mais competitivos. Eu sinto que aqui na Austrália o jogo rola muito mais na brincadeira, um sacaneia e faz piadinha o tempo todo, enquanto no Brasil me parece mais sério, o pessoal quer jogar e se esforça pra ganhar. Aqui não vejo todo esse esforço, o jogo é mais de farra (o que às vezes me irrita um pouco, poderiam levar mais a sério). Por exemplo, quando um jogador do time adversário saca bem, alguém fala do time fala “nice serve” pro jogador do outro time. Ah, fala sério, motivar o outro time? No Brasil geralmente as pessoas falam pro próprio time “se liga aí galera”. Também acho que rola mais comunicação no Brasil (tipo aqueles berros “minhaaa” falando que a bola é minha – sai de perto). Aqui rola aquele “deixa que eu deixo” direto.

Outra coisa que aqui é diferente é que não rola aula de vôlei como eu tinha no Rio. No Rio eu pagava 90 reais por mês na Escolinha do Betinho, lá no Posto 11, e podia jogar de segunda a sexta-feira, de 19.30 às 21.30 da noite. Meu horário mesmo era de 19.30 às 20.30, mas poderia ficar e entrar em algum time até às 21.30 se quisesse. O legal é que tínhamos 30 min de treino: treinava manchete, ataque, fundamentos do vôlei, como fazer isso e aquilo... e a última meia hora a gente jogava livre, sempre jogos de duplas. Aqui não – pelo menos ainda não encontrei esse esquema. Aqui você paga 10 dólares por um jogo de 45 minutos com quatro pessoas em cada time e sem treino. Facada né?! Ah, e o detalhe mais importante é que não rola a praia do Leblon e uma água de coco após a partida, mas é melhor nem entrar nesse assunto...


Esqueci de comentar que aqui na Austrália não rola ver o Chico Buarque andando ao lado da quadra...

Mudando mais uma vez de assunto: no domingo que passou foi o ANZAC Day aqui na Austrália. Ah, antes de entrar nesse assunto, vou contar uma coisa pra vocês: quando um feriado na Austrália cai no domingo ele é automaticamente transferido para a segunda-feira. Ou seja, você nunca perde um feriado. Segunda passada não trabalhei por que domingo foi feriado. Bom né?

ANZAC Day

Mas voltando a falar sobre o ANZAC Day, que cai em todo dia 25 de abril, segue um pequeno resumo tirade do Wikipedia:

Anzac Day is a national day of remembrance in Australia and New Zealand, and is commemorated by both countries on 25 April every year to honour members of the Australian and New Zealand Army Corps (ANZAC) who fought at Gallipoli in Turkey during World War I. It now more broadly commemorates all those who died and served in military operations for their countries. Anzac Day is also observed in the Cook Islands, Niue, Samoa and Tonga.

Resumindo muito, o dia 25 de abril celebra o aniversário da primeira grande operação military combatida pelos ANZACs na Primeira Guerra Mundial. Pra quem não sabe, Anzac significa Australia New Zealand Army Corps que seriam os soldados da Austrália e Nova Zelândia - naquela época o exército dos dois países era um só. Atualmente o país celebra a vida (e morte) de todos os soldados que morreram em todas as guerras que a Austrália já participou, que foram muitas. Ou seja, esta é uma comemoração bem patriótica com marchas, passeatas e discursos de veteranos de guerra ou de seus filhos e netos contando como eles são orgulhosos do que seus pais/avós/etc fizeram pelo país durante a primeira Guerra. Nesse link você pode conferir como foi a comemoração em Brisbane. No domingo escutei o barulho de jatos no ar, aqueles aviões voando baixinho soltando fumaça, mas foi só. O feriado eu passei mesmo foi curtindo uma praia em Gold Coast.

Esse post foi um pout-porri de assuntos né. Em breve escrevo mais. Alguma sugestão de assunto?


segunda-feira, 29 de março de 2010

Dica de filme australiano: All My Friends Are Leaving Brisbane

Ontem a noite vi uma comedia-romantica bonitinha que retrata Brisbane de forma bem light, toda filmada com atores locais.

Alem da historia bem sessao da tarde do casalzinho-melhores-amigos-que-nao-sabiam-mas-que-sempre-foram-apaixonados-e-que-no-final-ficam-juntos, o filme tambem mostra as paisagens, os icones e, acima de tudo, como eh a vida dos vinte-e-poucos anos Brisbanites (sim, se eu sou carioca, eles tem esse nome). Ah, e jah adianto: conversas em varios parques da cidade, cerveja com pub jogando sinuca, festinhas regadas a muita birita, almocos com takeaway no Jardim Botanico da city que fica ao lado da universidade QUT, a Story Bridge, Kangaroo Point (a garota personagem principal mora lah) e ateh as casas lindas de New Farm (o "amigo" dela mora na Moray St que em 1993 ganhou uma eleicao de "melhor rua para se viver da Australia" e fica pertinho aqui de casa). E claro, como eu nao poderia deixar de falar jah que eh justamente o titulo, o filme mostra todos os amigos da menina-amiga-amor debandando de Brisbane para ir morar em Londres (ou estao lah, ou vao em breve).

(momento parenteses: todos os cidadaos australianos entre 18 e 30 anos podem morar por 2 anos legalmente na Inglaterra, e melhor, dentre esses 2 anos eles podem trabalhar legalmente e por tempo integral por um ano - e eh claro que todo mundo vai neh).

A personagem principal, jah de saco cheio do trabalho, de estar perdendo as amigas pro casamento ou pra Londres, achando Brisbane boring, fica na duvida se fica em Brisbane ou chuta o balde e vai viajar tambem. Mas aih rola aquele momento "helloooo, eu amo o Michael e sempre amei".

Ih, to contando tudo neh? Dah uma olhadinha no trailer aih embaixo.



E olha soh o que estah escrito no media kit do filme:

All My Friends are Leaving Brisbane is a story about people leaving home in their twenties, working out what they want their lives to be like. Anthea (a personagem principal) is unsure as to wheter she should travel to London or stay in her home town in her safe, unsatisfactory job (jah vi esse filme rs).

Most young Australians migrate in their 20s. Wheter is to a big city, a bigger city or overseas, it is a part of the nature of young Australias to want to see the world (isso eh verdade, o Aaron mesmo morou 2 anos em Londres e eh raro voce conhecer alguem que nao morou lah - se nao morou, vai morar, que eh o assunto do paragrafo aih debaixo).

The film describes first and second wave travalers. Tyson says he was a "first wave" traveller; he went overseas when he first left school, slummed around working in bars and returned for uni (o tao famoso ano sabatico que, na minha humilde opiniao, deveria ser instituido e praticado em todos os paises do mundo). Jake is a "second waver". He went overseas as a young professional to a well paying job in London.

It's very Australia to conquer the tyranny of distance and satisfy curiosity (lembre-se, a Australia eh um dos paises mais isolados do mundo). People in their twenties test themselves, explore possibilities and make big decisions about the shape of their future. This is a story set in that ordinary but very high stakes world.

O filme foi feito em tres semanas e com um budget de apenas 42.000 dolares. Nao eh o melhor filme do mundo nao, mas vale a pena para quem quer descansar os neuronios, dar umas risadinhas e conhecer um pouco mais sobre Brisbane e sobre "o jeitinho" da juventude australiana.

sábado, 27 de março de 2010

Sabadao com feijoada e Brasil na TV australiana

(sorry, teclado sem acento)

Com um chef em casa e uma loja que vende produtos brasileiros aqui perto (Pennisi distribuidores), saca soh como foi o nosso sabado:

Entrada com pao-de-queijo. Todos os australianos que conheco que provaram amaram.

Quem diria, a melhor feijoada que jah comi foi feita por um australiano. E nao estou exagerando! ;-)

Pena que nao se vende feijoada em quase nenhum lugar de Brisbane - soh conheco um lugar na Elizabeth Street, no centro, que vende toda sexta-feira mas nao chamo aquilo de "feijoada", jah que tem soh linguica e eh bem aguada (sem graca). A familia do Aaron ama, acho que cada um repetiu pelo menos duas vezes e todos levaram uma quentinha pra casa...

Agora soh falta a rede...


*********************

Mudando de assunto, estava aqui zapeando pelos canais de TV e acabei de me deparar com o filme Cidade dos Homens , legendado em ingles, no canal por assinatura chamado 'World Movies' da Foxtel. Eh sempre uma surpresa ouvir portugues na TV daqui. Alias, o seriado Cidade dos Homens tambe jah passou aqui na Australia, esse no canal aberto SBS que eh um canal multicultural com programacao de varios paises do mundo. Nesse canal eh comum aparecer jornal da Grecia, filme da Islandia, novela de Mocambique, enfim, tem de tudo. Muito legal a iniciativa e nao temos nada parecido no Brasil.

Outro dia falo um pouco mais sobre esse e os outros canais australianos, enquanto isso, veja o que diz no site da SBS:

SBS: what’s the story?

SBS was founded on the belief that all Australians, regardless of geography, age, cultural background or language skills should have access to high quality, independent, culturally-relevant Australian media.

The multiple language programs available through SBS Television, Radio and Online ensure that all Australians, including the estimated three million Australians who speak a language other than English in their homes, are able to share in the experiences of others, and participate in public life. The quality of our programs and the multiplicity of our viewpoints come from the freedom we have to draw on the best of all cultures for our programming.

Bem, depois de tanta feijoada, vou lah deitar no sofa e ver o filme. Amanha escrevo mais!

terça-feira, 16 de março de 2010

Comida na Austrália

Vou explicar em duas palavras como é a comida típica australiana: não existe.

Sim, isso aí: não existe. Existe comida inglesa, francesa, italiana, alemã, muita comida asiática, em alguns lugares latina, americana... mas australiana de carteirinha, isso não existe não. Como esse é um país muito novo e tão multi-cultural, com gente de todos os lugares do mundo compondo uma nação, é difícil falar que qualquer coisa é tipicamente australiana. Algumas pessoas chamam de cozinha “moderna australiana” os restaurantes mais contemporâneos que oferecem um toque diferente às cozinhas de outros países. Mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido até chamar isso de “comida australiana”. Quem sabe daqui a uns 50 anos (ou até antes) isso muda? Ou, seguindo as previsões de muita gente, a Austrália vira mesmo parte da Ásia e o mix de comidas asiáticas viraria a típica “comida Australiana”? Bem, quem viver verá.

Existem sim muitos lanches ou sobremesas (quero dizer, não refeições) como bolos e tortas que são tipicamente australianos e eu já falei sobre alguns deles nesse post. Vale lembrar que a principal refeição dos australianos é o jantar, ao contrário do Brasil que é o almoço. E café-da-manhã aqui também é diferente, como já falei nesse post.

Ah, antes de entrar mais no assunto, não se engane: o restaurante Outback (tem no Rio e em São Paulo) não oferece comida australiana e sim, americana. Nem tem Outback na Austrália e nunca ninguém viu aquela Blooming Onion.

A comida na Austrália tem, obviamente, muita influência britânica – a chamada “old school australiana” seria com: fish and chips (peixe frito com batata frita), assados (peru, frango, rosbife – quem vem das palavras roast e beef), chips and gravy (batata frita com um molho meio amadeirado), pure de batata, ervilha e milho (o povo aqui ama ervilha e milho, ama!), cordeiro (tem lamb em quase todos os cardápios). Outra coisa que eles adoram e que faz parte da cultura é, assim como no Brasil, o churrasco (lembrando que a Austrália é o segundo maior exportador de carnes do mundo atrás apenas do Brasil e que o churrasco deles tem muita linguiça, as famosas sausages).

Fish and Chips: super light né... é o arroz com feijao australiano.

O que também tem muito aqui são frutos do mar, o que não é difícil para um país-ilha onde a maior parte da população vive no litoral. O salmão da Tasmânia é um dos mais apreciados do mundo, além de vieiras, mexilhões, ostras, camarões... Camarão é um capítulo à parte, pois ceia de Natal que se preze sempre tem um balde de camarão VG cozido e frio com casca, e cada um tem que descascar o camarão que for comer (odeio esse ritual de ficar cheirando a frutos do mar, mas fazer o quê né).

Outra coisa que tem demais, em cada esquina, é algum fast food (mas nao sei se isso se encaixa na categoria "comida"): McDonalds, Hungry Jacks (o Burger King é chamado assim pois o nome ja tinha dono quando a cadeia chegou na Australia). Kentucky Fried Chicken, Subway, Domino's Pizza, Nando's (essa nao tem no Brasil mas é uma cadeia mundial com comidas que tenham frango), etc. E fast food aqui é super barato, uma promocao do McDonals (que australiano chama de Macca's) custa uns 8 dolares, enquanto no Brasil esta quase 20 reais.

Em Brisbane também tem alguns restaurantes de comida italiana mas menos do que tem no Brasil. Em Melbourne tem mais já que existe uma comunidade enorme de italianos (tem até uma rua dedicada à Itália cheia de restaurantes por lá). Tem dois restaurantes de comida italiana aqui em Brisbane que eu gosto muito (já trabalhei nos dois rsrs): o Vespa Pizza e o Arriva. A pizza deles tem a base fina e crocante como a nossa (momento parenteses: mesmo a comida sendo boa, nao va ao Arriva, aquela italianada é o povo mais grosso e sem educacao que eu ja vi na vida!).

Comida latina tem a mexicana (não muito), mas é raríssimo de encontrar alguma coisa dos outros países. Brasileira então, dificilímo (que eu saiba só existia um restaurante brasileiro em Brisbane – o Brazilian Touch – e a comida de lá era horrorosa, ainda bem que o restaurante fechou há alguns meses). Mas se quiser comprar feijao preto, Guarana Antartica, pao de queijo e otras cositas, basta ir no Pennisi na Balaclava St aqui em Brisbane e fazer em casa. Ah, e no último ano virou um pouco de moda a cozinha espanhola e abriram dois restaurantes em Brisbane, mas nada muito grande, a onda está só começando e não sei se vai durar.

Outra coisa que aqui tem muito é o famoso Kebab, que é um espetão de carne ou frango onde eles raspam a carne em pedaços e servem em um pão árabe com salada (já comi muito depois da balada na época de solteira, é uma delícia mas só Deus – ou melhor, Alá – sabem o que vem nessa carne).

A carne do kebab vem nesse espetao, o atendente raspa e a carne cai dos lados...

E assim é feito esse sanduiche.

O que tem muito por aqui, mas muito MESMO é comida asiática e suas variações (pra mim é o que salva aqui na Austrália): tailandesa, indiana, vietnamita, nepalesa, tibetana, chinesa, japonesa, tem até restaurante com comida do Himalaia por aqui. Qual é a diferença? Bem, chinesa e japonesa não vou explicar pois tem muito no Brasil e quem lê já sabe. Se bem que a comida japonesa aqui é um pouco diferente: além do sushi e sashimi de sempre que vemos no Brasil, também tem muito um formato de um sushi mais longo (não cortado) que as pessoas vão mordendo e comendo com a mão. Tem muito restaurantezinho pequeno que vende sushi no centro de Brisbane, e como é relativamente saudavel, é uma das comidas mais comuns do pessoal que trabalha em escritorio (eles pedem pra viagem e comem no trabalho ou em algum parque). Eu como esse sushi pelo menos umas duas vezes por semana, custa $ 2,20 cada um e com tres deles voce fica satisfeito.

Essa é a cara do sushi que se come com a mão e mordendo.

Quanto as outras comidas asiaticas, aqui vai uma brevissima explicacão:

Indiana: bem mais pesada e gorda, com muito curry, cores fortes, pão. Brisbane está infestada de restaurante indiano – só nessa Brunswick St, rua perto da minha casa que seria a Visconde de Pirajá de New Farm/Valley, deve ter uns cinco indianos.

Vietnamita: muitos vegetais, mais sopas com noodles, verdes. Mais leve que a Thai. Um restaurante que adoro aqui em Brisbane é o West End Quan Thanh, a comida é otima e o preco é barato.

Tailandesa: muito coco, curry e mistura de doce com salgado. O Pad Thai é o prato mais conhecido. Um dos meus restaurantes preferidos em Brisbane é o Thai on Brunswick, na Brunswick St, a dois quarteirões de casa. Pra voces terem uma ideia, custa cerca de 15 dolares cada prato (para um casal com entrada e bebida fica em 40 a 50 dolares por refeicao). Fui lá na sexta passada e ontem, segunda (acho que é o restaurante que mais frequento aqui em Brisbane), dá uma olhada em alguns pratos:

Yellow curry de frango.

Stir fry de carne.


Pedi pro Aaron, já que ele é chef, me falar um pouquinho da diferença entre a comida australiana e brasileira:

Australia doesn’t really have a traditional cuisine like French or Italian. Australia is a young, very diverse and multi-cultural country, the food here is based in other countries food. Brazilian food is traditional, derived from somewhere but they have their own peculiar food.

The majority of the menus have the same thing: three same salads (Ceaser, green and a green with something like, let’s say, a lamb or chicken), a pasta dish with meat (like Pesto chicken was a huge thing from the 90s to 2005, 2006), lamp or steak with chips and salad... Here is very standardized and if you want something different try Asian food because the rest will have very similar menus.

While in Brazil I missed affordable lamb (too expensive there), fresh seafood (he also thinks Chilean seafood is better) and Australian beef which is one of the best in the world. The food in Brazil is very simple but well done (basic presentation but the flavour is there). Portions in Brazil are larger. Pizzas in Brazil are better, they really know how to make a pizza well and they are not afraid of trying different flavours. Oh, and of course, the Pastel de Camarao com Catupiry at BB Sucos was just the best, you can't find something like it here.

Bakeries in Brazil are unbelievable. In Australia there are a few small bakeries which can be good but almost all are like McDonalds, they all use the same flour, same products. The bakers do a bakery course and think they know how to bake but there is no passion there.

Overall I think the main difference between Brazil and Australia is knowledge and ability. Australians have knowledge and don’t have ability. Brazilians in the kitchen – at least the ones I worked with – want to show they can do a good job and learn. Some Australians go to the kitchen and call themselves a chef just because they did a course. Now we have this whole generation in Australia that don’t know really how to be a chef (ele está falando do programa de imigração – que acabou de ser cancelado mas que durou uns 5 anos – que despejou milhares de “chefs” no mercado que não queriam saber de cozinha e sim, somente de visto de permanência australiano). In Brazil it seems they are more proud of the food, they learn, they take in.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Crimes aumentam no sudeste de Queensland

Não se engane não, quem acha que não existe crime na Austrália está muito enganado. Existe sim, claro que muito menos do que no Brasil, mas infelizmente o número aumenta a cada ano.

Amanhã o jornal de Brisbane The Courier Mail vai publicar um estudo que mostra o crescimento da criminalidade no sudeste de Queensland. A matéria de hoje diz que os números aumentaram muito no último ano, e já ouvi e li muitos casos de casas roubadas – acontece muito de roubarem laptop, já ouvi falar que tem uma “gang” especializada nisso. Eu mesma já tive meu laptop roubado dentro de casa há dois anos (mas tenho uma forte suspeita que foi o nosso drogadinho ex-flatmate que, obviamente, foi devidamente expelido de casa após o episódio - não só por isso).
Estou curiosa pra ler a matéria de amanhã, vão mostrar o índice de criminalidade em cada bairro. Já adianto que o maior número de ocorrências acontece em Gold Coast, no centro de Brisbane e em Fortitude Valley (que fica perto da minha casa e que é o bairro das ‘baladas’).

Só no último ano os casos de abuso sexual cresceram 33% em Brisbane. Em um bairro chamado Holland Park só no ano passado ocorreram 16 estupros, contra três do ano anterior.

Bem, aumenta mas segundo o Wikipedia, o índice de homicídios por 100 000 habitantes no Brasil é 25,7, e na Austrália, só 1,28. Olha que vergonha a cor do nosso Brasil aí embaixo:

Depois que a matéria for publicada escrevo mais sobre o assunto.

Nesse final de semana vou publicar um post sobre Comida na Austrália, aguarde!

terça-feira, 2 de março de 2010

Rapidinhas Climáticas

 
(aqui)

  • No domingo de manhã, logo após o terremoto do Chile, as praias do leste australiano tiveram um alerta de tsunami devido as ondas que poderiam ter se formado do lado de lá do Pacífico. Foi apenas uma precaução já que, no final, nada aconteceu. Até o campeonato de surfe que estava rolando em Gold Coast com a participação de Kelly Slater, Mick Fanning e cia teve que ser interrompido.
  • Para os que me perguntaram, meu irmão e família que moram em Santiago estão bem. Apesar do susto, nada aconteceu na casa deles e na vizinhança está tudo relativamente normal, com supermercados e transporte funcionando. Nunca faltou luz e água, e eles estão “apenas” sem telefone, TV à cabo e internet.
  • Chove sem parar desde sexta-feira passada em Brisbane e no sudeste de Queensland. O final de semana foi regado ao som de chuva, com muito jornal, filmes e preguiça. Ótimo, pois não aguentava mais aquele calor úmido de Brisbane. O tempo ruim só acaba na semana que vem.

segunda-feira, 1 de março de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

De mudança...

Finalmente me mudei para New Farm (de volta para onde morava antes de voltar para o Brasil) e estou bem ocupada desencaixotando coisas e arrumando tudo. Estou feliz: posso vir andando para o trabalho e gosto muito desse bairro, de poder fazer as coisas a pé, de estar perto do agito. Como boa carioca, estou acostumada a descer do prédio e ter tudo por perto, e ainda não me acostumei ao suburban lifestyle de morar meio longe de tudo e ter que usar o carro o tempo todo.

New Farm eh um bairro mais caro pois eh perto do centro (na Australia o centro eh chamado de CBD - Central Business District). Esse eh um dos suburbs mais agitados de Brisbane e na rua ao lado da minha casa deve ter pelo menos uns trinta restaurantes, alem de um supermercado aberto ateh a meia-noite todos os dias, raridade aqui por essas bandas. E o legal desse bairro eh que, mesmo com esse lado mais badalado, ele conserva aquela tranquilidade de cidade pequena que muitas cidades australianas ainda tem. Olha aih embaixo a distancia entre New Farm e o predio em que trabalho (e que fica bem no meio do centro). Tem que distanciar mais o mapa, tirando um pouco o zoom, pra ver melhor.


View Larger Map

Em 2006, assim que cheguei na Austrália, fiz esse vídeozinho abaixo para mostrar um pouco de Brisbane para a a família e amigos. O video mostra a casa que eu voltei a morar nessa semana. Na época que o vídeo foi feito eu dividia a casa com a Fabíola, Thalita e David e ainda nem conhecia o Aaron...



PS.: Tem um post no forno: sobre os preços de aluguéis e compra de imóveis na Austrália. Em breve ele sai, não desistam do blog.
PS 2: Ainda nao fui pra Tailandia.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Warriors of Brazil em Brisbane

Hoje, amanhã e sábado vai rolar o show do Warriors of Brazil aqui em Brisbane - eles estão em turnê pela Austrália e já passaram por Perth e Sydney, agora Brisbane, e depois vão para Melbourne e Adelaide. O Warriors of Brazil é um grupo de capoeira de Salvador e o show inclui dança e acrobacia, com música e batida bem brasileira. Pra ser sincera, não conheço muito o grupo, mas já vi o assunto em vários jornais daqui e uma menina que mora em Perth e que viu o show disse que é maravilhoso. Por isso o meu jabá – afinal, o blog é sobre Austrália e Brasil, e é sempre muito bom ver a cultura brasileira aqui do outro lado do mundo. Eles vão se apresentar no QPAC, que é uma casa de espetáculos enorme que fica no bairro de Southbank (pertinho daquela famosa praia artificial). Eu não vou poder ir, mas acho que pode ser uma boa pedida.

Você pode escutar um pouco do som deles nesse link e ver mais informações sobre o show e como comprar o ticket aqui.