quinta-feira, 20 de maio de 2010

Brasil em Brisbane

Em 2005 quando comecei a pensar a morar em Brisbane, eu achava que quase não tinham brasileiros por aqui. Afinal, que cidade é essa? A maior parte dos brasileiros conhece Sydney e sua über-famosa Ópera House, e muitos já ouviram falar de Melbourne e sua semelhança com Londres. Sobre Brisbane eu tinha pouco ouvido falar - o que sabia era, inicialmente, pelos amigos australianos do meu irmão que moravam na cidade e iam todos os anos para o Rio. Depois, com a mudança dele para cá em 2004 eu obviamente comecei a ouvir falar mais, mas nunca pela imprensa ou grande mídia.

Quando finalmente decidi vir para Brisbane, conheci uma menina (a Tati - será que ela lê o blog?) que tinha morado seis meses em Brisbane em 2003. Foi a única brasileira que conhecia até então que já tinha morado na cidade. E aí veio a bomba: “Verinha, Brisbane é lo-ta-da de brasileiros”. Como assim, jura? “Lotada”, disse ela. Não combina. Por que Brisbane? Tenho que ver para crer.

Cheguei aqui pela primeira vez em julho de 2006 e no meu primeiro passeio pela rua principal – Queen Street Mall – já escutei português várias vezes e vi milhares de brasileiros de longe (por que a gente que é brasileiro sabe como é fácil identificar outro brasileiro). Quatro anos se passaram e continuo constatando a mesma coisa: Brisbane está infestada de brasileiros. Não é o fato de trabalhar em uma empresa brasileira que torna o meu julgamento parcial não – tem mesmo muito brasileiro por aqui. Aliás, pra quem ficou curioso, vou falar como eu consigo identificar um estudante brasileiro na rua:

1. As meninas estão sempre ou de roupa de ginástica com legging ou tênis grande, ou com alguma roupa justa. E sempre com cabelo liso e comprido (é claro que a escova progressiva já chegou por aqui).
2. Homens com camisa da seleção ou camisa de algum time de futebol. E boné.
3. Reclamando de dinheiro/falta de.
4. A maior parte no centro e em Spring Hill, quase não se vê brasileiros nos bairros um pouco mais afastados.
5. Brasileiros andam em grupos, sempre.
6. Falando português alto no telefone.
7. Brasileiro olha pra você quando passa por você na rua. Australiano não.

Claro que eu estou falando só dos estudantes, que são a grande maioria dos brasileiros aqui na Austrália. Além de milhares de estudantes, aqui em Brisbane também tem muita gente que veio trabalhar com emprego garantido e qualificação, e esses são mais difíceis de serem identificados (embora eu ache que os três últimos tópicos aí de cima se apliquem também). Fora isso, volta e meia quando estou em um restaurante vem algum brasileiro falando “oi, você é brasileira?”. Semana passada aconteceu isso. E aí, aquelas perguntas de praxe “O que você veio fazer aqui, está gostando, você é de que cidade, volta quando blá-blá-blá”.

E tem mais: quando conheço algum australiano e falo que sou brasileira, em 50% dos casos essse australiano tem algum amigo ou conhecido brasileiro. Já não comentei nesse post aqui que até o meu time de vôlei chama-se “Team Brazil” por coincidência, pois quem me convidou para entrar no time foi um australiano? Em Gold Coast, aqui pertinho de Brisbane, tem mais brasileiro ainda. Acho que lá é mais fácil encontrar um brasileiro do que um australiano.

Fatos: tem brasileiro mesmo?


Fui conferir se a percepção era realidade e, veja só o que achei no site do Australian Bureau of Statistics (que é como se fosse o “censo australiano”):

Between 1997 and 2007, of the 75 most common countries of birth [nota: das pessoas que vivem na Austrália], persons born in Sudan recorded the highest average annual growth rate (22% per year), followed by persons born in Bangladesh (12%), Afghanistan (11%) and Brazil (10%). [outra nota: sendo que dentre esses quatro países citados nós somos os únicos que não podemos vir na condição de refugiados]
Fonte aqui.

Short-term visitor arrivals to Australia during July 2008: Of those countries outside the top ten many recorded significant increases with short-term visitor arrivals more than doubling for Spain (5,500 movements) and Brazil (3,600 movements).
Fonte aqui.

Sobre os estudantes brasileiros, também achei isso:

In terms of enrolments, growth (26%) in the vocational education sector in 2006, compared to the previous year, was mostly due to large increases in enrolments from India (166%), Brazil (51%), the Republic of Korea (34%) and China (14%).
Fonte aqui.

Tentei achar o número de brasileiros aqui na Austrália mas confesso que não consegui encontrar (aqui eu achei por região do mundo mas não por país).

Agora eu pergunto: por que esse boom de brasileiros aqui nessa terra distante? Tô aqui coçando a cabeça mas não tenho uma explicação plausível, só suposições. Suponho que seja por que Sydney já esteja infestada (até mais) de brasileiros e eles acharam que iriam fugir de mais brasileiros vindo pra Brisbane (há, ledo engano). Suponho que seja por que aqui é mais barato do que Sydney (a diferença de preços não é enorme, mas existe). Suponho que seja por que aqui é perto de Gold Coast e o clima é mais quente. Ou tambem suponho que o crescimento não foi só em Brisbane mas que a Austrália tenha “virado moda” no Brasil já que os cursos são mais baratos que na Inglaterra (que é caro e frio) e dos Estados Unidos (que tem muito americano). Suponho que seja por que aqui na Austrália estudante possa trabalhar legalmente enquanto estuda, o que dá para amealhar uma graninha boa. Suponho que seja por que nos últimos 10 anos a passagem Brasil-Austrália esteja muito mais barata ou suponho que seja por que é relativamente fácil conseguir visto de residência na Austrália se comparado aos outros países (desenvolvidos) do mundo.

Ou uma conjunção desses fatores.

Sei lá.

O Brasil é aqui

Só sei que é claro que essa brasileirada toda que está aqui sente saudades do Brasil e das coisas de lá, e com esse crescimento no numero de brasileiros, crescem na mesma proporcao a quantidade de produtos, restaurantes e lugares brasileiros.

Fui lembrando e pesquisando sobre o que tem de “Brasil” por aqui e me surpreendi com a quantidade, veja só aí embaixo. E olha que essa lista é de Brisbane, a de Sydney seria muito maior:

Mundo Churrasco – Essa eu comentei há dois posts atrás: é a nova churrascaria brasileira que foi aberta em Paddington, um bairro aqui de Brisbane (tem filial em Sydney). Ela rola no mesmo estilo de algum Porcão ou Carretão da vida (inédito para australianos): muita fartura, mesa de buffet com saladas, aipim frito, pão de queijo, entradinhas diversas, carne no espeto com garçons servindo no seu prato... Enfim, aquilo que todo brasileiro conhece e ama agora tem aqui, por 29 dólares o rodízio. Estou pra ir há tempos mas ouvi falar que tem ficado lotado. Estou ansiosa pr air e depois conto como foi.

Pennisi Distribuidores – É onde vou quando quero comprar pão de queijo e feijão. Já falei de lá nesse post.

Garra Brazilian Jiu-Jitsu – Essa é a academia de Jiu Jitsu de um amigão nosso, o Eduardo, que dividia a casa com a gente. Tô pra fazer um post com ele há tempos! Os australianos amam Brazilian Jiu-Jitsu, tem várias academias na Austrália.

Rio Rhythmics (dança de salão) - Established in Brisbane in 1994 by Brazilian director Tarcisio Teatini-Climaco, Rio Rhythmics takes pride in teaching its students to dance authentic Latin dance - the way Latin American locals do! Essa é só um exemplo, tem diversas outras academias do gênero aqui em Brisbane.

Brazilian Portuguese – O Aaron já fez esse curso de curta temporada na University of Queensland. Conheço a professora, Eliane, mineira que mora há muitos anos em Brisbane. O interesse cresce a cada ano, e geralmente os alunos são namorados(as) de brasileiros ou australianos que conheceram algun brasileiro e querem viajar para o país.

Brazilian Beauty – Cadeia de salões de beleza em Brisbane que oferece, além da óbvia “Brazilian wax”, tratamentos de pele, manicure, pedicure, etc.

Brazilian Soccer Schools – Claro que tinha que ter alguma coisa relacionada a futebol.

Capoeira Cordão de Ouro – Segundo o site “Cordao de Ouro Australia was established in October 2008 and has been offering Capoeira classes in Brisbane since March 2009.”

Panela de Pressão – Sim, até isso tem aqui.

Brazilian Style Foods website – De acordo com o site, “Brazilian Style Foods is an importing wholesale company specialising in leading brands of traditional Brazilian food products direct from the producers. We are the exclusive Australian distributor for brands such as Yoki, Garoto chocolates, Predilecta, Café Do Ponto & Café Pilao. We proudly distribute an expanding range of Brazilian grocery products across Australia.”

Agora só falta a praia de Ipanema. Como é que traz?

PS: A parte do americano eu estava brincando viu. Hehe.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Curta: Totem na Austrália

Não sei se vocês já ouviram falar do Fred D'Orey, que já foi campeão de surf nos anos 80 e hoje é dono da Totem, loja de moda-praia carioca. Pra mim ele sempre foi um exemplo de carioca que não sairia do Rio nunca. Pois bem, hoje estava lendo uma edição antiga da Trip online e qual não foi a minha surpresa ao ver que ele pretende se mudar para a Austrália?

Na entrevista ele malha horrores o Brasil, conta do episódio que ele foi assaltado na linha vermelha e diz:

"Estou em processo de tirar a residência na Austrália, pois quero ter uma cadeia de lojas da Totem lá.

Por que Austrália? Eu acredito muito na Austrália, quero que meu filho vá de bicicleta pra escola, quero andar livremente na rua, não quero ser assaltado.”

Mais aqui.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Churrasco coreano em Chinatown

Ontem tive uma experiência gastronômica inesquecível realizada aqui pertinho da minha casa em Chinatown. Pois é, não é só em Nova York, Londres, Berlim e São Paulo que tem Chinatown não, Brisbane também tem a sua. Obviamente a Ásia é vizinha da Austrália, com isso todas as grandes cidades australianas tem uma Chinatown (que, apesar do nome, tem muito mais do que só coisas da China). Em Melbourne e Sydney a Chinatown é enorme, assim como a de Nova York que é praticamente um bairro. Já aqui em Brisbane a "Chinatown" deveria se chamar "Chinablock" ou quase "Chinastreet" por razões óbvias. Mas mesmo sendo pequena, não deixa nada a dever as suas irmãs maiores.

Vista de Chinatown:



Se você está em Brisbane com vontade de comer comida chinesa, coreana, japonesa, vietnamita, tailandesa... o melhor lugar sem dúvida é ir a Chinatown, que acabou de passar por uma reforma e está com uma cara diferente, mais moderna mas ainda com um clássico toque oriental (mais dicas de comida asiática nesse post). Ontem a noite rumamos em direção a esse pedacinho da Ásia a procura de um bom jantar, Chinatown fica só a quatro quarteirões da minha casa. Andamos e andamos, já que a quantidade de restaurantes é enorme, sempre parando na porta dos lugares para ler os menus ou ver as fotos dos pratos (acho que é mania na Ásia – 90% dos restaurantes tem as fotos dos pratos na vitrine).

De repente um restaurante de churrasco coreano nos chamou a atenção. Ahm, como assim? Yeap, Korean BBQ. Olhamos as fotos e parecia uma delícia: um grill bem no meio da sua mesa, as garçonetes trazendo camarões, lulas, carnes, tudo cru e pronto para ser colocado nessa chapa quente bem a sua frente... hummm. Daí veio em nossa direção a garçonete coreana tentar nos convencer a entrar, falando com aquele sotaque carregado “Thirty dollars all you can eat, very very good”. Além de frutos do mar e carne, nesse preço estão incluídos entradas como gyoza, rolinho primavera, saladas de cogumelos ou salmão defumado com abacate, panquecas japonesas, pratos principais, sushi... olha uma parte do menu aí embaixo. Não precisava falar nada, já estávamos convencidos que era lá mesmo. Pra quem quiser saber, o nome do restaurante é Chingu e fica na rua principal de Chinatown.


Quando se chega no restaurante, é assim que a mesa está: o grill coberto por uma tampa feita de vidro estampada com desenhos asiáticos. Depois essa mesa vira uma bagunça.

O grill sem a tampa.

E a brincadeira começa...



Antes de entrar passamos em um Bottle Shop já que o restaurante era BYO (Bring Your Own) – já expliquei isso no blog, mas explico de novo: na Austrália ou os restaurantes são “fully licensed” (tem licença para vender álcool) ou são BYO (não vendem álcool mas em compensação você pode levar a sua bebida). Compramos duas garrafas de vinho e lá fomos nós.

Realmente é muito bom conhecer outras culturas: não é genial essa idéia de ter uma “churrasqueira” na sua própria mesa? Não sabia que isso era costume na Coréia, mas se é, já gosto mais da Coréia.

Eu e o Aaron moramos em uma casa grande e alugamos os quartos para estudantes para economizar dinheiro do aluguel. Em um quarto está um alemão, o Haka, e no outro quarto está um casal – ele canadense, o Dean, e ela coreana, a Rachel. Quando chegamos em casa contamos para ela que fomos nesse restaurante e ela não acreditou. Era assim que ela comia na Coréia. Aliás, comida coreana é super saudável, pouca fritura e muita comida natural e fresca (não processada). Vejo o que ela cozinha lá em casa e fico com vergonha dos meus misto-quentes.

Se você um dia for visitar a Austrália, não deixe de ir para algum restaurante asiático. Eu sempre me surpreendo e acabo experimentando comidas diferentes e até métodos diferentes como esse do grill na mesa. Eu não sinto falta de comida brasileira pois aqui tem tanta variedade... sinto falta sim de casas de sucos e sanduíches como Polis e etc, mas comida mesmo, não posso reclamar por que aqui tem de tudo. Até churrascaria brasileira tem aqui (abriram uma em Brisbane há duas semanas atrás). Mas essa eu conto depois.

Outono em Brisbane / festivais de paises

O frio está começando em Brisbane. Aliás, já começou: quando vou à piscina sinto a água muito mais gelada, e quando estou na sombra sinto frio. Neste momento – 14.22 hrs – está 22 graus. A noite parece que o ar condicionado está ligado, e de manhã antes de sair da cama para ir ao trabalho é aquele suplício. Não está rolando mais praião – fui a Gold Coast há duas semanas atrás e estava difícil tirar a camisa - apesar do típico céu azul de Queensland a brisa estava gelada, cair na água então nem pensar.

Brisbane é sub-tropical e está em uma latitude como se fosse entre Florianópolis e Porto Alegre – ou seja, é mais frio do que no Rio.

(clique para aumentar)

A minha estação preferida, tanto no Rio como em Brisbane, é o outono. Os dias mais azuis, as noites mais claras, as estrelas parecem até que brilham mais. E como o calor tanto do Rio como de Brisbane são infernais, parece que faz o outono ficar quase “refrescante”. Já vejo aquecedores ligados nos restaurantes, cachecóis, casacões, manga comprida e menos chinelos por aí (já devo ter comentado que os locais amam usar chinelo pra tudo), as lojas já estão cheias de roupas de inverno – algumas até em promoção – e já acendi duas vezes a lareira lá de casa. No outono as temperaturas ficam por volta de 15 a 25 graus, já no inverno entre 11 e 21 graus. Na serra ao sul de Queensland pode ter geadas mas assim como no Brasil é raro e sai nos jornais.

Previsão do clime em Brisbane de hoje até semana que vem.

Uma das razões que me fez escolher Brisbane foi o clima. Sydney é a maior ilusão da história: você sabia que de março a novembro é tao frio que fica quase impossível ir a praia? Pois é, Sydney não é o Rio não. Neste exato momento Sydney está a 18 graus enquanto Brisbane a 22. No inverno é comum fazer temperaturas inferiores a 10 graus e ter que usar casacão e cachecol o tempo todo. Já em Melbourne nem se fala, um frio daqueles: neste momento, no meio da tarde, faz 14 graus na cidade. E o problema de Melbourne é que o tempo muda constantemente pois venta muito: então pode amanhecer com um sol e calor daqueles, daí na hora do almoço o tempo muda e começa a chover e fazer frio, no final da tarde o céu abre e começa a fazer calor de novo, e a noite o frio está de volta. Melbourne é a cidade conhecida por ter “four seasons in a day”.

Confesso que... o único grande problema de ter um dia lindo de outono com céu azul (por que aqui sempre tem céu azul) e temperatura perfeita lá fora é você ter que trabalhar dentro de um escritório.

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Em compensacao... no final de semana voce soh quer aproveitar, e geralmente nessa epoca os parques de Brisbane ficam ainda mais cheios.

Eu jah falei que tem churrasqueira gratuita nos parques de Brisbane, basta apertar um botao que elas funcionam? Confesso que quando vejo isso a minha alma brasileira fica naturalmente pensando que no Rio com um negocio desses chegaria um cara e tomaria "conta do pedaco", "tipo assim churrasquinho tres real" e aquele vira o ponto dele e aih outro dia vem uma placa e escreve assim "Churrasquinho do Bene", no outro dia algumas mesas e cadeiras, cervejinha e sambinha rolando...

Churrasqueira comunitaria em parque no Rio, voce acha que dah?

Aqui leva multa se nao limpar depois de usar.

Me lembra que muitas pessoas parecem genuinamente se importar com o proximo. Jah cansei de ver por aqui, nessas tais churrasqueiras, um australiano-churrasqueiro apressando a carne por que reparou que outra pessoa/galera queria usar - depois ele limpa e lava a churrasqueira e entrega pro outro. Genial ne?

Ou sera que eh por causa da tal multa que eles se importam?

Ah, Tostines vende mais por que eh fresquinho ou eh fresquinho por que vende mais?

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Veja soh! Descobri que vao rolar algumas semanas de comemoracao a paises latinos aqui em Brisbane: Italian Week (que vai rodar as principais capitais da Australia e estarah em Brisbane de 26 de maio a 2 de junho ) e o Spanish Film festival (que mostra todos os filmes de lingua espanhola e nao soh os da Espanha e que tambem estarah aqui em Brisbane no final de maio).

Brisbane tem disso, as vezes sinto que ateh mais do que no Rio: a diversidade de culturas eh tao grande, e as comunidades dedicadas a cada uma sao tao fortes, que sempre rolam comemoracoes dedicadas a algum pais ou cultura/religiao. Eh semana do aborigene, semana do grego, do italiano, do espanhol... tem de tudo um poudo. Ateh mesmo Melbourne tem uma rua dedicada a Italia cheia de restaurantes italianos, outra rua grega, cheia de gregos, Chinatown, etc.

Sinto que as culturas na Australia, o sentido de "pertencer a um lugar", eh mais delineado e diferenciado enquanto no Rio eh mais uma mistureba danada, que deve ser ateh maior que na Australia. Mas eh uma mistura mais "socada", mais antiga, o que destaca ainda mais a ainda jovem historia da Australia. Essas semanas sao muito legais, vejo que ainda sao pequenas e fora do mainstream mas com otimo conteudo e iniciativa. Pretendo ver um filme e depois conto por aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sites da/sobre a Australia

Acesso direto diversos sites australianos ou blogs de brasileiros sobre a Australia, e como eu nao sou uma pessoa egoista, vou dividi-los com voces, queridos leitores-amigos-familiares-alguem que achou o site pelo Google-?". Enfim! (Isso me lembra que eu gostaria de entender quem sao voces, um dia eu ainda faco uma pesquisa sobre os leitores desse blog).

São eles:

Jornais e noticias

The Courier Mail - Noticias de Brisbane e Queensland. Acesso de vez em quando pra saber o que esta rolando nas redondezas. Jornal local - os jornais locais estao sempre na preferencia do leitor, voce sabia? Pra mim (e isso sem consultar pesquisa nenhuma) o site mais acessado pelos cariocas eh o Globo online, e dos paulistas eh o UOL. E dos Brisbanites, o couriermail.com.au. Ponto final.

Sydney Morning Herald - Acesso de vez em quando para sair das as vezes bobinhas noticias locais para as grandes materias nacionais. Quer saber se a taxa de juros aumentou, ou sobre as noticias do mundo vistas por olhos australianos, ou pra acessar blogs otimos sobre o viagem (adoro esse daqui)? Eh com o SMH.

Dicas

Our Brisbane
- Dicas sobre Brisbane: shows (pagos ou digratis) em Brisbane e nas cidades do entorno, restaurantes, mapas, lista com os top best lunches ou breakfastas, informacoes sobre cada bairro de Brisbane, onde tem shopping, qual eh o melhor parque da cidade, atracoes pr criancas... tah tudo aih.

Real Estate (imoveis para alugar ou vender)

Real Estate.com.au - Se voce em comprar ou alugar uma casa na Australia, acesse. Se voce quer conhecer um pouco sobre como sao as casas na Australia, acesse tambem. Com fotos, mapas, artigos e etc. Voce viaja sentado de frente para o computador.

Banco

Commonwealth Bank - Eh o meu banco. Precisa falar mais?

Cinema

Southbank Cinema - Sessoes de um dos cinemas mais baratos da cidade, e com estacionamento gratuito.

Blogs ou revistas de brasileiros sobre a Australia

Brazil Australia - Lucido, esclarecedor e completo, o autor - cristao fervoroso - fala bastante sobre os desafios iniciais, como arrumar um emprego e a vida do estudante brasileiro aqui na Australia.

The News Rider - Foco na economia australiana e na sua relacao com os paises do mundo.

Falando Portugues Magazine - Voce sabia que aqui na Australia existe uma revista feita por brasileiros e para brasileiros? Ela mesma.

Emprego

Seek.com.au - Achei meu emprego aqui. Pra mim é o melhor.

Imigração (vistos e etc)

Department of Immigration and Citizenship - Já usei muuuito na época que estava procurando as opções para continuar na Austrália. Se você quer vir pra Austrália, procure informações aqui, direto da fonte.

Se lembrar de mais eu falo. Have fun!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Últimas minhas e da Austrália

Comecei esse blog tão animada a escrever pelo menos três posts por semana – e ainda estou – mas, como já falei antes, o trabalho está realmente pesado e me consumindo, principalmente no ultimo mês. Quem já trabalhou na implementação de SAP sabe o que eu estou falando. Geralmente saia às 5 da tarde e quando chegava em casa ainda tinha ânimo de sentar no computador e escrever mais. Mas não, agora esse tempo acabou e são apenas memórias boas do passado. Justo eu, que às vezes reclamava que não tinha muita coisa pra fazer, agora não tenho tempo para fazer tudo o que tenho que fazer. Me lembra aquele velho ditado “cuidado com o que você pede pois o seu pedido pode ser atendido”. É, eu era feliz e não sabia.

Minha rotina tem sido chegar no trabalho às 8 da manhã e sair as 5.30, 6 da tarde. Hoje, por exemplo, cheguei no escritório às 7.30 da manhã e saí lá pelas 6 da tarde. Muitas vezes almoço sentada na mesa olhando pro computador. Ou seja, estou fazendo justamente o que eu criticava sobre a cultura australiana de não socializar na hora do almoço. Agora entendo bem o porquê deles fazerem isso, pelo menos pra mim, pois assim consigo de vez em quando sair as 5 da tarde e ir pro meu querido vôleizinho a noite.

Sabe que eu até gosto de chegar mais cedo e sair mais cedo do trabalho? No começo foi difícil me acostumar a acordar tão cedo, mas hoje em dia eu me adaptei. É tão bom saber que tenho a noite inteira pela frente... Acho que outro ponto é que não tenho saído a noite durante a semana ou feito alguma coisa com algum amigo como fazia tanto no Brasil (tá lendo isso Pedro?) – até faço, mas como já falei algumas vezes, aqui as pessoas acabam se encontrando mais cedo pra jantar, ou pra beber, ou seja lá o que for, “puxando” as horas para baixo.

Ah, e como falei, é claro, duas vezes por semana vou do trabalho direto pro vôlei de praia.

Vôlei de Praia em Brisbane
Falando nisso (pois vamos combinar que falar sobre vôlei é bem melhor do que falar sobre trabalho), descobri que aqui em Brisbane tem diversos lugares com vôlei de praia, mesmo sem ter praia na cidade. Como já falei nesse post, jogo vôlei de praia rebound todas as terças e agora, às quartas jogo vôlei de praia “normal”, sem ser o tal rebound. Conheci um dos integrantes do time em uma festa e ele comentou que jogava vôlei em uma praça em West End, perto do centro. Não deu outra , me ofereci para entrar no time e, há dois meses, jogo toda quarta com eles. A ironia é que o time se chama “Team Brazil” pois foi iniciado por uma brasileira (que quase não tem jogado pois torceu o pulso ou alguma coisa assim).

É engraçado como até em jogo de vôlei de praia o jeito dos australianos se comportarem é diferente dos brasileiros.Tenho a impressão que no Brasil somos mais competitivos. Eu sinto que aqui na Austrália o jogo rola muito mais na brincadeira, um sacaneia e faz piadinha o tempo todo, enquanto no Brasil me parece mais sério, o pessoal quer jogar e se esforça pra ganhar. Aqui não vejo todo esse esforço, o jogo é mais de farra (o que às vezes me irrita um pouco, poderiam levar mais a sério). Por exemplo, quando um jogador do time adversário saca bem, alguém fala do time fala “nice serve” pro jogador do outro time. Ah, fala sério, motivar o outro time? No Brasil geralmente as pessoas falam pro próprio time “se liga aí galera”. Também acho que rola mais comunicação no Brasil (tipo aqueles berros “minhaaa” falando que a bola é minha – sai de perto). Aqui rola aquele “deixa que eu deixo” direto.

Outra coisa que aqui é diferente é que não rola aula de vôlei como eu tinha no Rio. No Rio eu pagava 90 reais por mês na Escolinha do Betinho, lá no Posto 11, e podia jogar de segunda a sexta-feira, de 19.30 às 21.30 da noite. Meu horário mesmo era de 19.30 às 20.30, mas poderia ficar e entrar em algum time até às 21.30 se quisesse. O legal é que tínhamos 30 min de treino: treinava manchete, ataque, fundamentos do vôlei, como fazer isso e aquilo... e a última meia hora a gente jogava livre, sempre jogos de duplas. Aqui não – pelo menos ainda não encontrei esse esquema. Aqui você paga 10 dólares por um jogo de 45 minutos com quatro pessoas em cada time e sem treino. Facada né?! Ah, e o detalhe mais importante é que não rola a praia do Leblon e uma água de coco após a partida, mas é melhor nem entrar nesse assunto...


Esqueci de comentar que aqui na Austrália não rola ver o Chico Buarque andando ao lado da quadra...

Mudando mais uma vez de assunto: no domingo que passou foi o ANZAC Day aqui na Austrália. Ah, antes de entrar nesse assunto, vou contar uma coisa pra vocês: quando um feriado na Austrália cai no domingo ele é automaticamente transferido para a segunda-feira. Ou seja, você nunca perde um feriado. Segunda passada não trabalhei por que domingo foi feriado. Bom né?

ANZAC Day

Mas voltando a falar sobre o ANZAC Day, que cai em todo dia 25 de abril, segue um pequeno resumo tirade do Wikipedia:

Anzac Day is a national day of remembrance in Australia and New Zealand, and is commemorated by both countries on 25 April every year to honour members of the Australian and New Zealand Army Corps (ANZAC) who fought at Gallipoli in Turkey during World War I. It now more broadly commemorates all those who died and served in military operations for their countries. Anzac Day is also observed in the Cook Islands, Niue, Samoa and Tonga.

Resumindo muito, o dia 25 de abril celebra o aniversário da primeira grande operação military combatida pelos ANZACs na Primeira Guerra Mundial. Pra quem não sabe, Anzac significa Australia New Zealand Army Corps que seriam os soldados da Austrália e Nova Zelândia - naquela época o exército dos dois países era um só. Atualmente o país celebra a vida (e morte) de todos os soldados que morreram em todas as guerras que a Austrália já participou, que foram muitas. Ou seja, esta é uma comemoração bem patriótica com marchas, passeatas e discursos de veteranos de guerra ou de seus filhos e netos contando como eles são orgulhosos do que seus pais/avós/etc fizeram pelo país durante a primeira Guerra. Nesse link você pode conferir como foi a comemoração em Brisbane. No domingo escutei o barulho de jatos no ar, aqueles aviões voando baixinho soltando fumaça, mas foi só. O feriado eu passei mesmo foi curtindo uma praia em Gold Coast.

Esse post foi um pout-porri de assuntos né. Em breve escrevo mais. Alguma sugestão de assunto?


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Border Security

Border Security é um reality show do canal de TV australiano Channel 7 que mostra o trabalho de “segurança na fronteira” feito pelos agentes de imigração, pela alfândega e do serviço de inspeção de produtos que chegam à Austrália. Eu adoro, tem muita ação, reações emocionais inesperadas, frieza dos agentes, truques inesperados dos passageiros/turistas/etc desmascarados... é um programa que mostra até que ponto o ser humano pode chegar para conseguir imigrar para a Austrália, ou traficar drogas, ou para trazer algum produto escondido para o país.

Vou citar alguns casos que já vi para você entender melhor o reality show. Ele mostra, por exemplo, quando tem um vietnamita suando em bicas tentando entrar na Austrália que parece meio suspeito de estar trazendo drogas – o programa mostra ele sendo parado, revistado, interrogado até acharem ou não drogas nele. O programa também mostra um casal vindo da China cheio de ervas medicinais que preenche o formulário da alfândega dizendo que não estão trazendo nada “proibido” mas depois acabam sendo descobertos e fingem que “não entenderam” o que estava escrito. Ou um ex-presidiário da Nova Zelândia com um vasto histórico criminal tenta entrar na Austrália, acaba sendo parado e interrogado, e tem que dar justificativas para a sua vinda a Austrália e, no final, qual é a decisão da imigração: se deixa ou não ele entrar no país. Ou mostra uma mulher vindo da Malásia que diz ser turista mas que não tem um pingo de dinheiro e que, no final, descobre-se que ela obviamente vai procurar emprego ilegal na Austrália por isso ela acaba sendo mandada de volta pra Malásia. Ou mostra um pacote vindo do Brasil que passa pelo raio-x (90% da correspondência internacional que vem para a Austrália passa por raio-x), lá eles verificam algum produto suspeito dentro do pacote, os agentes australianos o abrem e descobrem que dentro do inocente livro infantil tem 250 gramas de cocaína escondida (esse exemplo é real e apareceu no programa da semana passada).

A Austrália é um dos países com a entrada mais restrita do mundo: praticamente todas as nacionalidades precisam obter visto antes de entrar no país (para alguns países o processo é mais fácil - apenas pela internet -, para outros, como o Brasil, é mais difícil onde até para obter visto de turista é necessário mostrar, por exemplo, demonstrar prova financeira de que se tem condições de bancar a viagem). Além disso, por ser um continente-ilha com uma fauna e flora únicos no mundo (vide cangurus e coalas que só existem aqui), o país tem a quarentena, que é a proibição da entrada de qualquer tipo de comida, planta ou produtos animais – isto por que esses produtos podem trazer diversas doenças e pestes para o país (aqui está a lista do que se pode ou não se trazer para cá). Além é claro, de obviamente não se pode entrar com qualquer tipo de droga, o que muita gente tenta fazer mas acaba sendo pega.

A maior parte do programa é filmado nos aeroportos de Sydney e Melbourne mas às vezes ele também mostra casos nos aeroportos de Brisbane, Perth, nos portos, nos correios, batidas nos lugares suspeitos de estarem empregando estrangeiros sem visto de trabalho, ou o trabalho da alfândega nos barcos ancorados no norte da Austrália (perto da Indonésia e Papua Nova Guiné).

Não é sempre que acontece alguma coisa: às vezes, nada acontece e a pessoa é liberada sem nenhum problema. Às vezes não. Os casos que mais me impressionam são os das pessoas que tentam traficar drogas. Os agentes da imigração suspeitam, por exemplo, de pessoas do sudeste asiático que saíram e voltaram da Australia umas quatro vezes nos últimos seis meses e que acabam permanecendo apenas três dias na Austrália sem nenhuma explicação aparente. Em 90% dos casos eles estão carregando alguma droga dentro deles. Os agentes dos aeroportos já estão carecas de saber disso, por isso eles detectam rapidamente quem pode ser um traficante. Nos correios existem muitos casos de latas lacradas com drogas dentro (geralmente eles pesam as latas e o peso é bem diferente do que está escrito no rótulo) ou, como citei no exemplo do livro infantil que veio do Brasil, os traficantes tentam esconder as drogas entre a capa e a primeira página (que são coladas mas que tem a droga escondida por dentro), em tecidos de tapetes ou roupas, em maquiagem, enfim, vale tudo.

É claro que existem controvérsias sobre o programa. Em seu livro sobre a indústria de Relações Públicas na Austrália o escritor australiano Bob Burton reclamou que na edição do programa é bem provável que eles retirem os trechos que mostram os erros do governo e, com isso, parece que o governo está sendo justo e efetivo na proteção das fronteiras. Pra mim isso é óbvio: é claro que acontece preconceito contra asiáticos e indianos, grosseria, ameaças e etc - ninguém é bonzinho, muito menos australianos que trabalham “protegendo fronteiras”.

Fora isso eu acho um tremendo exagero essa política de quarentena – não se pode trazer nenhum tipo de comida pra Austrália, nenhuma mesmo, nada. Outro dia em um programa um músico cubano trouxe pra Austrália um pandeiro que tinha sementes secas e envernizadas penduradas em volta, estilo aqueles colares e pulseiras que os índios fazem e que se vende em qualquer canto do Brasil. O tal do pandeiro não pôde entrar e ficou retido. O cara quase chorou pedindo pelo amor de Deus, que era o intrumento de trabalho dele, que era exagero etc e tal, mas não teve jeito, ficou sem.

Apesar de ser um reality show, duvido que ele retrate a realidade nua e crua. E também acho difícil ter um programa do gênero no no Brasil, que tem uma realidade (e, principalmente, uma Polícia Federal) bem diferente da australiana. Se é politicamente correto ou não eu não sei - mesmo assim, o programa continua sendo bem interessante.

Neste link do You Tube você pode ver alguns trechos.