quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Isso tudo é muito australiano...

O que é tipicamente australiano? Comida, lugares, roupas, comportamentos... quais são os hábitos e costumes que não são comuns no Brasil e que existem por aqui?

Sentei na cadeira, comecei a escrever, e olha a lista enorme que saiu. E isso é só o começo. Vamos lá:

  • Australianos comem hambúrger com beterraba em lata. No Burger King, etc, o Double Whoper vem com essa beterraba.
  • Comer Vegemite – é horroroso. Vegemite é tipo uma pasta preta que australiano gosta de comer com torrada. Só sendo australiano pra conseguir comer: todos os estrangeiros que tentaram odiaram.
  • Cereal no café-da-manhã. No supermercado tem corredor exclusivo para “cereais matinais”.
  • Linguiça, as famosas “sausages” são onipresentes. Churrasco de australiano significa 70% de sausages. E eles tem uma variedade incrível: ontem mesmo comi uma de frango com macadâmia. Muito boa.
  • Fast food, fast food e fast food. É impressionante a quantidade de McDonals, Hungry Jacks (que é o Burger King daqui), KFC, Subway, Domino's Pizza... estão em todos os lugares.
  • Muitos restaurantes de Fish and Chips (peixe frito com batata frita) - herança inglesa.
  • Em compensação, muita muita comida asiática: tailandesa, chinesa, japonesa, vietnamita, indiana. E elas são baratas. Amo isso - é o que eu mais como aqui.
  • Não por acaso, muita gente gorda na rua. No Brasil você até vê algumas pessoas com barrigão e tal, mas não a quantidade de obesos que tem por aqui. Obeso mesmo, que não consegue nem andar direito.
  • Comer carne de canguru. Sim, no supermercado vende até linguiça de canguru. Não é a preferida, mas eles comem.
  • Sanduíche de batata-frita. Isso mesmo: dois pães de forma, batata-frita e ketchup no meio. Nojento.
  • Jantar cedo. Aqui é bem comum marcarem um jantar para as 7 da noite.
  • Almoçar no trabalho. Em todos os lugares que trabalhei os escritórios oferecem uma pequena cozinha com uma geladeira, microondas, pratos e talheres e etc. É comum as pessoas almoçarem em frente ao computador e não saírem do escritório o dia todo. Ou seja, não há aquela socialização saudável entre colegas de trabalho (eu sinto falta disso).
  • Trabalho de 8:30 as 17hrs e ponto final. A não ser que algo muito grave/urgente esteja rolando. E eles almocam rapido exatamente pra poder sair as 17hrs.
  • Dormir cedo e acordar cedíssimo. Aqui no trabalho várias pessoas vão dormir diariamente às 9, 9.30 da noite, e acordam às 4 da manhã.
  • As cidades australianas são muito parecidas, não tem um toque peculiar... são sempre as mesmas franquias, as mesmas lojas, o mesmo mobiliário urbano. Organizado e limpo, mas chato.
  • Rugas, muitas rugas. Australiano em geral é branquelo + o sol fortissimo do país + eles não tem muita vaidade = rugas. É normal saber que aquela pessoa que você achava que tinha 40 anos na verdade ter 30.
  • A não ser que você vá numa boite, ou em um casamento, ou em um jantar de gala, é chinelo o tempo todo. Outro dia fui a uma festa de Natal - que eu achei que era para ir mais arrumadinha - e a anfitriã estava de vestidinho e chinelo.
  • Andar descalço. Volta e meia você vê um perdido andando no meio da rua, ou no meio do supermercado, descalço. E não é mendigo não, vestido normalmente, mas sem sapato.
  • Crianças na praia com camisa contra o sol, boné e óculos. Aqui o sol é muito forte (o buraco da camada de ozônio fica em cima da Austrália), por isso eles protegem bem a criançada.
  • Mas em compensação, na praia eles não têm o hábito de usar barraca (ou guarda-sol). Não me pergunte o porquê.
  • BYO (Bring Your Own), que significa poder levar a sua própria bebida para o restaurante pagando um preço bem pequeno por pessoa. Isso não existe em nenhum país que já fui. Adoro.
  • Quando é um churrasco grande com convidados, servir com faca, prato, garfo descartável pra não ter que lavar depois. Chiquérrimo...
  • Conviver com animais o tempo todo. Australianos em geral sabem os nomes e tipos de diferentes pássaros, lagartixas, baleias, etc.
  • Venerar a Inglaterra. Eles dizem que não, mas eles gostam de qualquer coisa que venha da Inglaterra, mesmo sendo ruim. Eles comparam tudo com a Inglaterra, a referência sobre qualquer coisa é o país.
  • Dizer “Cheers” ao invés de “Thanks”.
  • Essa eu já falei: fazer uma piadinha, em qualquer situação.
  • Os australianos que trabalham em call center são bem diferentes daquelas “pessoas-robô” dos call centers brasileiros: eles conversam com você, perguntam como foi seu dia, se o trabalho tá bom, falam 'mate', reclamam do sistema q estah lento... é uma “intimidade” só.
  • Carrinho de supermercado espalhado pelas ruas – mesmo a quilômetros de um supermercado.
  • Aqui é você que abastece o carro.
Vou fechar com esse textinho que resume bem The Australian Way:

"Being Australian is about driving in a Japanese car to an Irish pub for a Belgian beer, then travelling home, grabbing an Indian curry or a Turkish kebab on the way, to sit on Malaysian furniture and watch American shows on a Chinese TV. And the most Australian thing of all?

Suspicion of anything foreign."


Aguarde, a lista continua...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Queenslander Houses

Pra mim, essas casas são o maior símbolo de Brisbane: Queenslanders, encontradas em todo o estado de Queensland e também no norte de New South Wales (estado onde a capital é Sydney). Eu moro em uma delas.

A maior parte desse tipo de casa é contruída com madeira, e eu acho elas uma graça, super bonitas – apesar de não tão práticas. Elas estão presente em todos os bairros da cidade, e tem várias ruas de subúrbios onde você só vê Queenslanders. Elas têm um mega porão embaixo da casa que é um espaço livre, sem divisórias. Pra mim esse “andar de baixo” é um espaço que poderia ser melhor utilizado: lá em casa ele é usado pra guardar coisas. Mas a idéia inicial desse andar aparentemente inútil era de elevar a casa para aumentar a ventilação (como falei com vocês antes, aqui é muito quente) e protegê-la de inundações (aqui chove bastante).

Segundo esse site do museu de Queensland esse estilo de construção era o mais comum entre 1840 e 1960. Naquela época não existia ar-condicionado, por isso a casa era construída de forma que as correntes de ar pudessem passar pela casa inteira (em cima de cada porta tem tipo uma janela interior – o que pode ser bem incômodo pois aumenta o barulho da sala pro quarto). Outra coisa que eu acho incômodo é que, como é uma casa de madeira, no verão ela fica muito quente, e no inverno, muito fria. Na casa que moramos hoje não tem, ar-condicionado, e a gente sofre, mesmo com essa ventilação toda.

Eu acho que essas casas tornam Brisbane uma cidade ainda mais bonita, mais “peculiar”. E os locais se orgulham dessa arquitetura, é a “cara” de Queensland e do estilo de vida das pessoas daqui, com sua mega-varanda e o jardim para fazer um churrasco (aliás, eu tenho que falar sobre churrasco australiano algum dia desses!).

Se você um dia visitar Brisbane, você vai ver como elas estão espalhadas pela cidade toda... acho que foi a primeira coisa que reparei quando cheguei aqui.

Segue uma mensagem que está no site do museu e que retrata bem o que eu quero dizer:

"The Queensland house represents a distinctive style of architecture. It also speaks more eloquently than almost anything else about this State's distinctive lifestyle."

Seguem algumas fotos dessas casas que tirei nesse final de semana (elas estão meio escuras, o tempo estava bem nublado, e hoje não parou de chover) - clique para aumentá-las:


Essa mostra o tal do porão que eu comentei.


Só dá ela nas ruas.


Olha o porão e o varandão de novo...


Mais uma. Algumas poucas não tem varanda - o que eu acho um desperdício.


Elas são enormes.


Mais exemplos aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Rapidinha: choque de ordem do Rio no maior jornal da Austrália

Quem diria, o Rio sendo mais uma vez notícia na Austrália. Dessa vez é uma notícia sobre o choque de ordem na praia que estaria "mudando" o comportamento dos cariocas (duvido, mas é o que a matéria tenta dizer). Um trecho:

The beach is just the latest target of a city-wide campaign to bring order to Rio, where traffic and other rules are often seen as optional.

"The law exists, but you're in Brazil," says Bernardo Braga, a 26-year-old model and student who was playing "keep up" on the Ipanema seafront. (nota: keep up é como eles chamam o altinho que a galera joga na praia)

"You just have to walk along here to see all ruled being ignored."

Matéria completa nesse link.

Bem-vindo ao mundo do planejamento urbano

Nós cariocas, quando ouvimos falar sobre planejamento urbano, pensamos em remoção de favelas, favela-bairro, muro pra delimitar favelas... mas alguém aqui conhece algum plano para transformar o Rio pensando no futuro da cidade daqui a 20 ou 50 anos? Eu não. Aliás, pra mim favela-bairro não é planejamento urbano – é colocar um bandaid em um problema que está tão consolidado que não tem mais como ser resolvido. Já em Brisbane, é ao contrário. Aqui não se trabalha com “reação” – o negócio é prevenção, até por que a cidade não chegou ao limite de população como o Rio. Um dia vai chegar, mas até lá, a cidade estará bem preparada para aguentar esse tranco. E sabe por que? Por causa do imenso planejamento urbano que fazem agora.

Desde o início da década de 90 a região metropolitava de Brisbane é a que mais cresce na Austrália: cerca de 2,2% ao ano. Hoje a grande Brisbane tem 1 milhão e 950 mil habitantes e espera-se que em 2049 a população dobre para 4 milhões. Conheço vários Brisbanites (locais) que falam que, há 10 anos atrás, Brisbane era completamente diferente: nada abria aos domingos, quase não tinha bons restaurantes, não tinha bons shows (as grandes bandas só iam para Sydney e Melbourne) – enfim, não tinha muita coisa pra fazer, era um lugar devagar quase parando... hoje em dia a cidade que já foi conhecida por ser uma “big country town” está bombando com inúmeros restaurantes, parques, prédios modernos, e gente.

A quantidade de obras espalhadas pela cidade é absurda. Se você olhar pra Brisbane de longe, você vai ver um horizonte infestado de guindastes. A cidade está em obras. São novas avenidas, túneis, prédios, calçadas... Eu fiquei um ano no Brasil e quando voltei, encontrei várias coisas que antes não existiam: ruas que mudaram de mão, uma nova ponte no rio Brisbane, um mega ponto de ônibus perto de um grande hospital, as obras do túnel que vai atravessar a cidade super adiantadas (aliás, essa obra é monumental!), dois prédios novos no centro. Além do crescimento, me impressiona também a rapidez com que isso acontece.

Tudo isso só não vira um samba do criolo doido por um motivo: planejamento urbano. Antes de iniciar qualquer projeto, o governo faz uma baita pesquisa para entender os impactos que ele terá na cidade, nos habitantes, e na Brisbane que eles esperam pro futuro. E para juntar todos esses projetos debaixo do mesmo guarda-chuva, ontem o governo e a prefeitura lançaram um super plano de planejamento urbano em conjunto: chama-se River City Blueprint. Ele pretende entender como cada projeto, estudo e estratégia isolados da região central da cidade relacionam-se entre si. Basicamente ele é um projetão que vai fazer o link entre todos os 80 “projetinhos” em andamento nessa região.

É claro que tem gente que reclama do plano, e a reclamação é que o governo, ao invés de investir tanto em Brisbane, deveria é cuidar das cidades menores do estado de Queensland. Afinal, se houvesse empregos e prosperidade nesses lugares, o pessoal não teria que ir pra Brisbane para ter uma boa vida – ficaria por lá mesmo, nas áreas regionais (sim, por que além da imigração de estrangeiros, existe uma emigração enorme dos próprios australianos do interior para as capitais).

Mas voltando à vaca fria (ou quentíssima): o que eu acho mais legal de Brisbane é que, mesmo com esse batida cada vez mais rápida, a cidade ainda conserva um charme de cidade pequena. E esse é um dos pontos descritos no plano, que em um trecho diz assim: “But we don’t want to grow up and become just like any other city. We want to make sure the city’s infrastructure can cope with new residents, workers, students and tourists and that the services we enjoyed today are not compromised by growth. Most of all, we want to preserve the relaxed, outdoor lifestyle that is quintessentially Brisbane.”

E nós, que moramos na cidade, somos constantemente comunicados sobre o que está acontecendo. Volta e meia recebemos em casa uma carta da prefeitura contando sobre esses planos todos, eles sempre marcam uma reunião para discutir o assunto (geralmente é uma reunião por bairro), existe um acompanhamento de cada passo pelos moradores – tanto sobre as etapas da construção em si quanto sobre as finanças e despesas do projeto.

Planejamento, comunicação constante, ser ouvido, acompanhar gastos... Infelizmente, pra brasileira aqui isso é tudo muito novo. Uma pena, pois o Rio estaria tão diferente se os governantes tivessem pensado mais no futuro da cidade a longo prazo... ainda mais uma cidade maravilhosa como o Rio, que tinha tudo para ser uma das melhores cidades do mundo pra se viver. Será que ainda dá tempo?


Brisbane em 1922. Fonte: State Library of Queensland.

Essas aí embaixo eu tirei hoje no horário do almoço. São todas da Queen Street Mall, a principal rua do centro de Brisbane. Olha como tem gente na cidade...






quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ano-novo na Austrália: uma desanimação só

Perguntei a alguns australianos como eles comemoram o ano novo e a resposta foi engracada e até meio cínica (bem do jeito deles), mas decepcionante – o que eu já sabia. Ano novo aqui é bem desanimado, nem se compara com a festa que a gente faz no Brasil.

Aí embaixo está a melhor resposta – que resume bem como é o reveillon deles. Sorry, tem que ser em inglês mesmo, algumas palavras e expressões são quase “intraduzíveis”!

  • Go to bottle-shop and load up with beer & spirits (maybe 1 bottle of cheap champers for the host)
  • Put on newly gifted Xmas clothes (thanks Mum / Gran) & head to party
  • Stand around talking about work, kids and who has the biggest TV
  • Eat everything that comes within 5 feet of where you are standing / leaning
  • Watch the fireworks
  • Make New Years resolution ... note this usually lasts a max of 3 - 5 days
  • Have a pash at midnight to the dulcet sounds of exploding fireworks or very loud aussie rock (think Wolfmother at say 10)
  • Get Drunk
  • Have an argument with your partner about getting “too drunk”
  • Forget argument and keep drinking till you have consumed all your beer and every “spare” beer in the esky
  • Wait for 2 hours for your pre-booked taxi to arrive to take you home
  • Argue (in taxi) about why friends ignored your partner
  • Swear at taxi driver for ridiculous holiday surcharge
  • Look for front door keys, drop keys, fall over trying to pick up keys
  • Wake up next morning wondering why you are still fully clothed / why you are asleep on the floor
  • Look forward to the next New Year when you can do it all over again.
E o pior é que várias australianos que estavam em copia responderam de volta escrevendo “yeah, nice description, that’s it”.

O primeiro ano novo que passei aqui foi em Byron Bay. “Pô, Byron Bay que é a Búzios da Austrália, primeiro ano novo aqui, solteira, com três amigas, festaaa uhú!”, pensei. Resumo do resumo, às 2 da manhã  eu estava na fila do táxi pra voltar pra casa. Todo mundo indo embora, tinham até algumas festas rolando, mas todas caríssimas e parece que elas também acabavam cedo. Os fogos de artifício então... nossa, deu pena. O segundo ano novo eu nem sei se deveria comentar... pois bem, eu já estava com o Aaron e fomos para Mackay, no norte do estado, onde ele morava quando mais novo. Fomos a uma " festa" com meia dúzia de gatos pingados que ficaram jogando sinuca quase que a noite toda. E as meninas, bem australianas, bêbadas e gritando (parece que elas tem mania de berrar ou fazer qualquer coisa pra chamar a atenção quando estão bêbadas).

Nesse ano vamos para Noosa, em Sunshine Coast. Mas já sabemos que não adianta esperar muito da virada, por que não vai ter nada demais.Minhas expectativas certamente estao bem mais baixas.

Acho que nós brasileiros temos muito a ensiná-los sobre como fazer uma boa festa, viu...


Ano-novo em Sydney: será que é melhor?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Bahia da Austrália

Brisbane é a capital do estado de Queensland, que é a Bahia da Austrália. Aqui é todo mundo mais devagar, relax, e o lema é “no worries mate”. A economia do estado gira principalmente pela agricultura, turismo e extração de recursos naturais (minas). Quem é de Sydney e Melbourne tira um pouco de onda de quem é de Queensland, dizendo que eles são os caipiras da Austrália (afinal, eles dizem que essas áreas são primárias e não exigem muita “inteligência”). O estereótipo de um Queenslander (quem nasce aqui é chamado assim) é de um fazendeiro usando chinelo, com uma camiseta velha rasgada e bebendo uma XXXX beer (a cerveja local).



Aí está Queensland. No extremo sudeste fica Brisbane... Onde está o meu ombro, no litoral, fica Magnetic Island. Aquelas ilhas lah em cima jah são de outro país: Papua Nova Guine (ou, como os australianos chamam, PNG).

O estado é quente – muito quente – e é para onde os australianos vão nas férias pois tem sol o ano inteiro. Brisbane fica no sudeste do estado, ou seja, na parte mais “fria” (mas ainda é quente pra caramba). Por ser um estado imenso, ele tem um clima bem diverso: absurdamente quente no norte (perto da linha do Equador), muito quente e seco no noroeste (longe do litoral, onde boa parte é deserto), quente e seco nas cidades litorâneas do norte e mais ameno no sudeste, onde está Brisbane.

Aqui tem de tudo: a economia crescente de Brisbane, muitos aborígenes e pobreza no extremo norte, muita plantação de cana-de-açucar também no norte (já viajei de Mackay a Townsville e durante quase duas horas, só vi cana-de-açucar), produção enorme de frutas (muita banana), muitas minas (de tudo: carvão, cobre, ouro, bauxita, zinco), praias lindas (a Grande Barreira de Corais fica aqui) e os famosos crocodilos da Austrália que ficam em sua maioria aqui no estado.

Há alguns anos o premier do estado (que é como se fosse o governador) lançou uma campanha chamada “Queensland, the Smart State”, muito para começar a tentar calar a boca do pessoal do sul. O mote era investir mais em áreas como tecnologia e pesquisa para acabar com esse imagem de estado caipira – e também, claro, aumentar a economia e não deixá-la tão dependente dos recursos naturais e da exportação. Mas além disso, o estado está mudando muito nos últimos anos, e é o que mais cresce na Austrália. Muita gente do sul (Melbourne e Sydney principalmente) está se mudando pra Brisbane para fugir do frio e para viver em um lugar mais calmo. Fora isso, o atual primeiro-ministro da Australia Kevin Rudd é de Brisbane – um caipirão na liderança do país. Mas de caipira ele não tem nada, pelo contrário, ele era diplomata.

Em outro post falo um pouco mais sobre Queensland e as principais cidades do estado!


Whitsundays Islands, perto da Grande Barreira de Corais, no norte de Queensland.


Pôr-do-sol em Magnetic Island, ilha em frente a cidade de Townsville, também no norte.

Da série "avisos que só tem na Austrália":


(A esq.) Sim, de novembro a maio na maior parte do norte do estado tem água-viva na água. Você só pode cair aonde tem rede de proteção em volta da praia. Ah, e o outro aviso à direita significa: se você sentar embaixo de um coqueiro, um coco pode cair na sua cabeça. E depois não diga que eu não avisei...


Essa foi tirada em um estacionamento em Mackay (cidade onde o Aaron passou boa parte da sua infância).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Pesquisa sobre diferenças culturais no trabalho

Hoje no trabalho me pediram para responder a uma pesquisa bem interessante: GlobeSmart. Ela ajuda a entender as diferenças culturais que acontecem quando pessoas de várias nacionalidades trabalham juntas. Eu trabalho em uma empresa brasileira na Austrália, e no meu projeto tem australianos, neo-zelandeses, sul-africanos, americanos, canadenses, indianos, poloneses, colombianos e brasileiros. O estilo de trabalho de cada um é diferente; fomos criados e educados de formas distintas, o ambiente econômico varia de país pra país, a empregabilidade em cada região muda, o jeito de se relacionar e de se comunicar também – enfim, são diversas diferenças que fazem cada um trabalhar de um jeito, o que pode gerar vários problemas se esses estilos não forem reconhecidos e administrados.

Nessa pesquisa os integrantes do projeto tiveram que responder a 25 perguntas relacionadas a diferentes tópicos (comunicação; relacionamento; como trabalham com hierarquias; pensamento a curto/longo prazo, etc). Pelas respostas o programa define o perfil de cada pessoa e consegue compará-lo com os outros integrantes e com o perfil de cada país (eles também fazem uma média entre as pessoas daquele país para achar esse resultado). Ou seja, em alguns cliques eu vejo qual é a diferença do meu estilo de trabalho com o do John, da Mary, se eu tenho um perfil mais brasileiro, australiano ou etc, e o programa também sugere o que fazer para melhorar o relacionamento entre as pessoas quando a diferença é grande.

O resultado mostra um gráfico como esse abaixo. Aí estão os perfis da Austrália e Brasil - não coloquei os perfis das pessoas e nem o meu pois são informações confidenciais (há, não é assim tão fácil rsrs).



Já nessa figura aqui embaixo estão as características analisadas e uma definição de cada uma.



Em um país tão multicultural como a Austrália, onde é muito comum ver, conhecer e trabalhar com pessoas de diversos países, essa é uma ferramenta útil para entender um pouco mais sobre essas diferenças. Mas é claro, essa é apenas uma idéia, já que cada um tem seu jeito de ser, pensar e agir. O país (ou melhor, o lugar onde a pessoa viveu por mais tempo) influencia, mas não 100% - longe disso. Já para lidar com essas diferenças em qualquer lugar do mundo, antes de ver qualquer pesquisa, o que tenho aprendido é que é preciso muita paciência, comunicação e bom-senso. Afinal, se já é difícil conviver com pessoas da mesma nacionalidade, ou nascidas na mesma cidade com uma cultura parecida com a sua, imagina com pessoas completamente diferentes de você?