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sábado, 19 de junho de 2010

Africa do Sul e a Australia

(desculpe, hoje meu teclado estah sem acento)

Aproveitando o momentum Africa do Sul & Copa do Mundo, queria falar um pouco mais sobre esse pais que tem tantas diferencas e similaridades com a Australia e com o Brasil.

Como sempre, vou falar o que sei e o que vi - estive duas vezes na Africa do Sul (na Cidade do Cabo em 2007 e Johanesburgo em 2008), conheco alguns sul-africanos e, obviamente, moro na Australia o que me deu uma boa ideia de comparacao com esse seu "irmao desgarrado" de mesmos pais (os ingleses), padrasto distinto (o africano eh holandes) e "criacao" bem diferente...

Primeiro, uma ressalva para os brasileiros que moram ou que pretendem viver na Australia: da proxima vez que voce for visitar o Brasil, compre a passagem pelo outro lado do mundo, e nao via Nova Zelandia e Chile/Argentina. Lembro que a passagem custou meros 200 dolares a mais via Africa, e a experiencia valeu muito a pena - tanto que quero voltar pro continente (soh nao sei ainda quando, mas com certeza essa jornada me mostrou que a Africa deveria estar mais no mapa, na imprensa, na nossa vida).

Toda vez que faco o trajeto Brasil-Australia e vice-versa eu aproveito as paradas habituais do voo para conhecer o pais da escala. Santiago e arredores jah conheco muito bem de outros carnavais, jah que mi hermanito Beto mora por lah ha mais de 15 anos (fala Betito, taih maninho?!), mesmo assim, vejo sempre como uma oportunidade poder usar o voo para parar e conhecer um pouco mais sobre o que o Chile tem a oferecer. Nova Zelandia a mesma coisa, tanto eh que no ano passado o percurso Brasil-Australia demorou tres semanas a mais: duas no Chile (com Deserto de Atacama incluido - falei um pouco sobre lah nesses posts) e Nova Zelandia (uma semana na Ilha Sul nos mostrou os lugares mais lindos e breathtaking que pude imaginar na vida).

Ou seja, meu primeiro recado antes de comecar a falar sobre a Africa do Sul eh: aproveite essa longa viagem da Republica das Bananas pra Terra dos Cangurus, curta, e se voce for de ferias da Australia ao Brasil, nao se prenda todo tempo ao Brasil, pare no caminho, ou na ida, ou na volta, ou nos dois. Faca valer o seu dinheiro (jah que a parada seria mesmo escala e voce nao estah pagando extra por isso) e a sua vontade de conhecer o mundo. E de quebra o jet-leg inicial fica mais facil de ser digerido.

Falando da viagem em si: o percurso seria Rio-Sao Paulo-Johanesburgo-Sydney-Brisbane e vice-versa, mas quando parei em Johanesburgo, lah mesmo no aeroporto, comprei uma passagem para a Cidade do Cabo (Cape Town) que fica a cerca de 3 horas de voo ao oeste de Johanesburgo (passei quase por cima da cidade a caminho de Johanesburgo, ou seja, fui e voltei). Vale frisar que o aeroporto de Johanesburgo jah em 2007 estava cheio de posters pre-Copa do Mundo. Pois bem, no voo mesmo entre J'burg (assim carinhosamente chamada pelos locais) e Cape Town o caminho jah eh impressionante, com muitas montanhas e desertos.

Pode me chamar maluca, mas juro pra voce que neste voo que cruza a Africa do Sul fiquei olhando pra baixo quase o tempo todo pra ver se achava um elefante, uma zebra ou uma girafa pelo caminho hehe. Soh muito depois fui descobrir que um tour por um safari qualquer da vida custa carissimo, pelo menos uns 1500 dolares por 3 dias. Na epoca, minha vida de mochileira e garconete na Australia nao me permitiu tal ousadia, mas tudo bem, soh a experiencia de estar lah, naquele continente "perdido" (como pode ser chamado de perdido neh?) jah valia uma Arca de Noe inteira. Duas, tres.

A Cidade do Cabo eh uma cidade linda que me lembrou um pouco o Rio de Janeiro, com o sensacional encontro entre natureza, verde, montanha e mar. Quando saih do aeroporto lembro que vi algumas favelas, mas elas sao um pouco diferentes: cada casinha eh bem menor (descobri em um tour depois que elas sao chamadas de match boxes - caixinhas de fosforo), planas, e feitas com um material diferente, acho que zinco...

Os sinais e placas nas ruas sao escritos em Afrikaan (lingua oriunda do holandes, que chegaram por aquelas bandas em 1600 e alguma coisa) e ingles. No caminho reparei em alguns Fish 'n Chips, tao comuns na Australia, e a arquitetura inglesa, com algumas casas, pubs e hoteis bem parecidos com o que vejo em Brisbane. Verdade, sao todos da Commonwealth pensei - India, Canada, Africa do Sul, Australia, Inglaterra, Nova Zelandia e alguns outros paises, todos com colonizacao inglesa... Apesar das diferencas economicas obvias, acredito esses paises tenham muito mais em comum do que imaginamos. Confesso que, ateh fruto da minha falta de informacao, eu me surpreendi pois nao esperava encontrar um pouco da Australia na Africa do Sul fora a lingua e o fato dos dois estarem no hemisferio sul (como o Brasil).

Na minha pesquisa sobre o que tem de parecido entre a Australia e a Africa do Sul achei uma entrevista bacana de um executivo sul africano da BMW que tambem trabalhou na Australia e disse que ambos os paises tem "surprising similarities". Leia um trecho:

Clive Prevost: When most people think of Africa, and even South Africa, they probably imagine a very different society to Australia. While there certainly are many differences, there are also a surprising number of similarities.

Both countries are in the southern hemisphere, and thus relatively lacking in access to major international markets. The structure of the economies is surprisingly similar: 60-70% services, 10-15% primary industries and 10-15% manufacturing. Both are major exporters: Australia is listed in 29th place and SA in 39th place (out of 228 countries), according to one recent study. Both countries are rich in natural resources such as gold, coal, iron ore, nickel, uranium, diamonds, natural gas and other minerals specific to each country.

Legal systems in both countries are based on English common law (although South Africa has other influences as well). Both rate well for political and civil liberties, and both, of course, share a passion for sports.
Entrevista completa neste link.

Depois falo mais sobre isso, vamos voltar a viagem com algumas fotos que tirei pela Cidade do Cabo e arredores:

Como pode?


Pub/Hotel em Cape Town.

Table Mountain.


Nao eh soh o oceano que tem contrastes...

Praia no caminho entre Cape Town e o Cabo da Boa Esperanca. Tem muito pinguim por essa costa.


Cabo da Boa Esperanca: lembra das aulas de historia?

Na minha curta vigem de cinco dias a Cidade do Cabo eu conheci a ilha-prisao que o Mandela ficou preso por mais de 20 anos (Robben Island), o Cabo da Boa Esperanca, fiz um tour por umas montanhas ao lado da cidade, andei um pouco... E tenho que fazer uma ressalva nesse ultimo: algumas vezes me senti sim insegura por andar a noite por Cape Town.

Uma hora estava caminhando do meu albergue em direcao a um famoso cais da cidade cheio de bares e restaurantes, eram umas 7 da noite e estava comecando a escurecer, e eu via imensos grupos de sul-africanos andando juntos (em geral, pessoas mais humildes e com a pele bem negra, diferentes da maior parte dos brasileiros que sao mulatos, mais misturados), varios, mas nao me senti ameacada (talvez um pouco mas a carioca aqui se fez de valentona e pensou "deixa comigo"). Eis que de repente uma senhora branca me parou e me perguntou se eu era turista. Respondi que sim, e ela me disse "nao ande por aqui a noite, alias, por nenhum lugar, pegue um taxi, eh perigoso". Eh... realmente... tem fish 'n chips e tal but let's not forget this is Africa.

De qualquer forma, gostei muito da cidade, achei muito bonita, mas vi muitas cercas grandes e arames farpados. O nosso albergue mesmo tinha uma seguranca grande, a cidade a noite era bem mais vazia se comparada a durante o dia. Um ar diferente, mais tenso, um pouco mais tenso do que o do Rio, eu achei. Uma grande Cinelandia a noite talvez.

No albergue conheci alguns mocambicanos; estava no bar sozinha quando ouvi um portugues com uma batida diferente (Mocambique eh vizinha a Africa do Sul e lah eles falam portugues), perguntei de onde eles eram, falei que era brasileira, o sorriso deles abriu (como de praxe o povo ama brasileiro) "aaahh brasileira, jah morei em Niteroi, muito bom, muito bom" e assim eles viraram meus melhores amigos de uma noite. A simpatia, o acolhimento, o tom de voz alto, a brincadeira... te digo uma coisa, isso nos brasileiros puxamos dos africanos, tenho certeza. Comprovei naquela noite de um albergue lotado de ingleses, canadenses, alemaes que os que mais se pareciam comigo, por incrivel que pareca, eram os mocambicanos. Eh ou nao eh pra voltar?

Depois dessa viagem rumei para a Australia em um exaustanta voo de 15 horas entre J'Burg e Sydney, sobrevoando o Indico e toda a extensao da Australia. Quando cheguei a Australia senti falta das cores, do barulho, sei lah, do sal africano (metaforicamente falando), mas nao senti nem um pouco falta do ar de ameaca eterna da noite de Cape Town. Novela das 6, lembra?

No ano seguinte (2008), na perna da volta ao Brasil, parei em Johanesburgo por tres dias. Primeira impressao? Johanesburgo eh feia. E fria. Parece que J'burg eh uma cidade-irma de Sao Paulo no Wikipedia (jah viu isso? Toda cidade no Wikipedia tem cidade-irma, que significa a cidade que se parece com aquele descrita de alguma forma). Pra mim irma de Sao Paulo significa que puxou aqueles genes feios (paulistanos, me desculpem, Sampa tem mil qualidades mas beleza nao eh uma delas). E tava um friiio, mas um frio... era julho, como agora na epoca da Copa, e estavam uns 3 graus na madrugada. O aeroporto, alias, meio baguncado, aqueles caras berrando pra voce pegar o taxi deles... Lembro que o cara do meu albergue se confundiu com o horario e atrasou uma hora, eu tava ali batendo queixo na calcada do aeroporto, olhando tudo ao meu redor e louca pra chegar a uma cama quentinha.

Rumei ao meu albergue, que tinha tambem uma cerca enorme com arame farpado. Era um bom albergue, barato e com piscina (obviamente nao utilizada devido ao frio). O rapaz que trabalhava lah, negro, era muito humilde, mas muito mesmo, olhava pra baixo o tempo todo ao falar e era um tanto quieto. Me lembra um pouco o Brasil.

No primeiro dia fiz um tour por Johanesburgo. Era um tour anunciado pelo albergue e eu era a unica turista em pleno sabado. Eh isso mesmo, J'burg tem poucos turistas - bem diferente de Cape Town. Ou seja, eu poderia fazer o meu percurso. Escolhi dar um passei no meio da cidade para sentir como é, ir ao Museu do Apartheid - uma das experiencias mais chocantes da minha vida - e a uma feira de roupa, comida e artesanato. Essa feira, alias, tinha coisas lindissimas com estampas africanas, coisas que no Brasil ou Australia custariam o olho da cara mas que lah eram baratissimas.

Centro de Johanesburgo.

As duas ultimas fotos acima foram tiradas na famosa favela/bairro de Soweto, famoso "palco" de diversas manifestacoes contra o Apartheid (lembrando que o Apartheid acabou soh em 1994). Alias, alem do Apartheid e da probreza, do Mandela, do alto indice de infectados pela AIDS e dos sul africanos que conheci aqui na Australia, eu pouco sabia sobre o pais.

No geral, vi em J'Burg uma cidade parecida mesmo com Sao Paulo, com predios e cinza, mas em menor tamanho. Tambem descobri que, assim como a Australia, a Africa do Sul eh um dos paises com o maior numero de minerios do mundo: J'Burg cresceu e ficou do jeito estah pela corrida ao ouro, existe (ou melhor, existiu) muito ouro e diamante embaixo e nos arredores da cidade. No meio de Johanesburgo tem ateh uma estatua enorme de um minerador australiano que eu vou ficar devendo o nome (procurei no Google mas nao encontrei).

E as comparacoes nao acabam por aqui:

Both South Africa and Australia were once colonial countries under British rule. Both had gold rushes, and both had significant Asian immigration. However, South African identities are dominated by conceptions of race. In Australia, social policy has worked to prevent race becoming a huge factor in the Australian identity until relatively recently.
Fonte.

No proximo post eu falarei mais sobre a Africa do Sul na Australia, e os varios sul africanos que moram por aqui. Ate la!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Últimas minhas e da Austrália

Comecei esse blog tão animada a escrever pelo menos três posts por semana – e ainda estou – mas, como já falei antes, o trabalho está realmente pesado e me consumindo, principalmente no ultimo mês. Quem já trabalhou na implementação de SAP sabe o que eu estou falando. Geralmente saia às 5 da tarde e quando chegava em casa ainda tinha ânimo de sentar no computador e escrever mais. Mas não, agora esse tempo acabou e são apenas memórias boas do passado. Justo eu, que às vezes reclamava que não tinha muita coisa pra fazer, agora não tenho tempo para fazer tudo o que tenho que fazer. Me lembra aquele velho ditado “cuidado com o que você pede pois o seu pedido pode ser atendido”. É, eu era feliz e não sabia.

Minha rotina tem sido chegar no trabalho às 8 da manhã e sair as 5.30, 6 da tarde. Hoje, por exemplo, cheguei no escritório às 7.30 da manhã e saí lá pelas 6 da tarde. Muitas vezes almoço sentada na mesa olhando pro computador. Ou seja, estou fazendo justamente o que eu criticava sobre a cultura australiana de não socializar na hora do almoço. Agora entendo bem o porquê deles fazerem isso, pelo menos pra mim, pois assim consigo de vez em quando sair as 5 da tarde e ir pro meu querido vôleizinho a noite.

Sabe que eu até gosto de chegar mais cedo e sair mais cedo do trabalho? No começo foi difícil me acostumar a acordar tão cedo, mas hoje em dia eu me adaptei. É tão bom saber que tenho a noite inteira pela frente... Acho que outro ponto é que não tenho saído a noite durante a semana ou feito alguma coisa com algum amigo como fazia tanto no Brasil (tá lendo isso Pedro?) – até faço, mas como já falei algumas vezes, aqui as pessoas acabam se encontrando mais cedo pra jantar, ou pra beber, ou seja lá o que for, “puxando” as horas para baixo.

Ah, e como falei, é claro, duas vezes por semana vou do trabalho direto pro vôlei de praia.

Vôlei de Praia em Brisbane
Falando nisso (pois vamos combinar que falar sobre vôlei é bem melhor do que falar sobre trabalho), descobri que aqui em Brisbane tem diversos lugares com vôlei de praia, mesmo sem ter praia na cidade. Como já falei nesse post, jogo vôlei de praia rebound todas as terças e agora, às quartas jogo vôlei de praia “normal”, sem ser o tal rebound. Conheci um dos integrantes do time em uma festa e ele comentou que jogava vôlei em uma praça em West End, perto do centro. Não deu outra , me ofereci para entrar no time e, há dois meses, jogo toda quarta com eles. A ironia é que o time se chama “Team Brazil” pois foi iniciado por uma brasileira (que quase não tem jogado pois torceu o pulso ou alguma coisa assim).

É engraçado como até em jogo de vôlei de praia o jeito dos australianos se comportarem é diferente dos brasileiros.Tenho a impressão que no Brasil somos mais competitivos. Eu sinto que aqui na Austrália o jogo rola muito mais na brincadeira, um sacaneia e faz piadinha o tempo todo, enquanto no Brasil me parece mais sério, o pessoal quer jogar e se esforça pra ganhar. Aqui não vejo todo esse esforço, o jogo é mais de farra (o que às vezes me irrita um pouco, poderiam levar mais a sério). Por exemplo, quando um jogador do time adversário saca bem, alguém fala do time fala “nice serve” pro jogador do outro time. Ah, fala sério, motivar o outro time? No Brasil geralmente as pessoas falam pro próprio time “se liga aí galera”. Também acho que rola mais comunicação no Brasil (tipo aqueles berros “minhaaa” falando que a bola é minha – sai de perto). Aqui rola aquele “deixa que eu deixo” direto.

Outra coisa que aqui é diferente é que não rola aula de vôlei como eu tinha no Rio. No Rio eu pagava 90 reais por mês na Escolinha do Betinho, lá no Posto 11, e podia jogar de segunda a sexta-feira, de 19.30 às 21.30 da noite. Meu horário mesmo era de 19.30 às 20.30, mas poderia ficar e entrar em algum time até às 21.30 se quisesse. O legal é que tínhamos 30 min de treino: treinava manchete, ataque, fundamentos do vôlei, como fazer isso e aquilo... e a última meia hora a gente jogava livre, sempre jogos de duplas. Aqui não – pelo menos ainda não encontrei esse esquema. Aqui você paga 10 dólares por um jogo de 45 minutos com quatro pessoas em cada time e sem treino. Facada né?! Ah, e o detalhe mais importante é que não rola a praia do Leblon e uma água de coco após a partida, mas é melhor nem entrar nesse assunto...


Esqueci de comentar que aqui na Austrália não rola ver o Chico Buarque andando ao lado da quadra...

Mudando mais uma vez de assunto: no domingo que passou foi o ANZAC Day aqui na Austrália. Ah, antes de entrar nesse assunto, vou contar uma coisa pra vocês: quando um feriado na Austrália cai no domingo ele é automaticamente transferido para a segunda-feira. Ou seja, você nunca perde um feriado. Segunda passada não trabalhei por que domingo foi feriado. Bom né?

ANZAC Day

Mas voltando a falar sobre o ANZAC Day, que cai em todo dia 25 de abril, segue um pequeno resumo tirade do Wikipedia:

Anzac Day is a national day of remembrance in Australia and New Zealand, and is commemorated by both countries on 25 April every year to honour members of the Australian and New Zealand Army Corps (ANZAC) who fought at Gallipoli in Turkey during World War I. It now more broadly commemorates all those who died and served in military operations for their countries. Anzac Day is also observed in the Cook Islands, Niue, Samoa and Tonga.

Resumindo muito, o dia 25 de abril celebra o aniversário da primeira grande operação military combatida pelos ANZACs na Primeira Guerra Mundial. Pra quem não sabe, Anzac significa Australia New Zealand Army Corps que seriam os soldados da Austrália e Nova Zelândia - naquela época o exército dos dois países era um só. Atualmente o país celebra a vida (e morte) de todos os soldados que morreram em todas as guerras que a Austrália já participou, que foram muitas. Ou seja, esta é uma comemoração bem patriótica com marchas, passeatas e discursos de veteranos de guerra ou de seus filhos e netos contando como eles são orgulhosos do que seus pais/avós/etc fizeram pelo país durante a primeira Guerra. Nesse link você pode conferir como foi a comemoração em Brisbane. No domingo escutei o barulho de jatos no ar, aqueles aviões voando baixinho soltando fumaça, mas foi só. O feriado eu passei mesmo foi curtindo uma praia em Gold Coast.

Esse post foi um pout-porri de assuntos né. Em breve escrevo mais. Alguma sugestão de assunto?


sábado, 20 de março de 2010

Ciclone no pacifico chega amanha a Australia

Amanha de manha (domingo de manha na Australia, sabado a noite no Brasil) o fortissimo ciclone Ului passara entre a cidade de Mackay e Townsville, ao norte de Queensland. Todas as cidades ali perto estao em estado de alerta e o local eh o caminho classico de ciclones na Australia. Varios jah passaram por ali e o estado de Queensland todo ano sofre com ameacas de ciclone tropicais entre novembro e abril.


fonte aqui

Apesar da imensa maioria dos impactos diretos do ciclone ocorrerem ao norte do estado, muitas vezes acontecem reflexos ao sul tambem, principalmente pelas imensas ondas e chuvas que eles provocam.

Para dar um exemplo tragico do efeito desse ciclone ameacador que estah a caminho da Australia, ontem um menino de 19 anos, salva-vidas, morreu durante o campeonato Australian Surf Life Saving Championships na praia de Kurrawa, em Gold Coast. Segundo o jornal, o garoto, chamado Saxon Bird, tambem surfista profissional, encontrou um mar fortissimo pela frente e caiu na agua enquanto estava remando o seu caiaque, e o seu proprio caiaque bateu em sua cabeca, com isso ele afundou insconsciente. Apos intensa procura, soh o acharam uma hora depois do episodio, jah morto. Segundo a mae dele, suas ultimas palavras foram "I don't want to do this" (participar do campeonato, jah que as ondas estavam enormes). Deu no que deu.

Quando eu cheguei aqui pela primeira vez em 2006 lembro que fui no supermercado e o quilo da banana estava 16 dolares. "Como assim??!", perguntei pra uma funcionaria do supermercado. "O motivo eh o ciclone que acabou de passar no norte de Queensland destruindo diversas plantacoes de banana" (e como a Australia nao importa a fruta de outros paises devido a quarentena, o preco aumenta).

Nesse final de semana uma colega do trabalho ia para Airlie Beach, bem no caminho do ciclone, mas a operadora de turismo cancelou a viagem dela. Para voce ter uma ideia, sao esperadas ondas de ateh oito metros nesse que parece ser um dos ciclones mais fortes dos ultimos anos. Nesse link voce pode acompanhar ao vivo, via satelite, a trajetoria do ciclone. Agora eh soh esperar, rezar e se proteger.

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Atualizacao (domingo de manha): o ciclone passou pela costa hoje de manha e, segundo o jornal, os danos foram moderados. No momento 60.000 casas estao sem energia eletrica, os aeroportos da regiao estao fechados, barcos foram destruidos e mihares de casas foram danificadas mas nada muito grave. Segundo testemunhas, o barulho do ciclone foi aterrorizante - parecia o som das turbinas de um aviao jumbo. De qualquer forma o governo ainda esta tentando descobrir qual foi a extensao real do ocorrido.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Australia Day e Coisas Truly Australians

Ontem, dia 26 de janeiro, foi comemorado o Australia Day. Esse foi o dia em que o tal Capitão Arthur Phillip comandou a primeira caravana de 11 navios recheados de prisioneiros que chegaram da Inglaterra para efetivamente colonizar a Austrália. Nesse dia o que veio a ser o primeiro governador de New South Wales, que foi o primeiro estado australiano, chegou a então colônia inglesa. Mas foi só em 1994 que o dia virou feriado nacional, e com certeza esse é o dia em que os australianos mais demonstram o seu orgulho pelo país. É claro que existem controvérsias sobre o motivo dessas celebraçoes todas afinal, imagina só, o Australia Day comemora uma data em que essas caravelas apenas deram o arremate final a uma das maiores dizimações da face da terra: a dos aborígenes pelos colonizadores ingleses. Mas não vou entrar nessa polêmica agora e vou falar das comemorações...

O típico Australia Day é comemorado com um churrasco e com as pessoas vestidas com qualquer coisa que tenha a bandeira ou as cores australianas. Esse também é um dia muito especial para aqueles que resolveram se naturalizar australianos já que, tradicionalmente, há várias cerimônias de entrega da “Cidadania Australiana” para os imigrantes em diversas cidades do país (um dia eu terei a minha!). Também existe uma premiação anual muito prestigiada do “Australian of the Year".

Na semana passada toda os jornais só falaram sobre o Australia Day, existe um site dedicado exclusivamente ao assunto (vale a pena dar uma olhada) e também milhares de pesquisas que ressaltam o “espírito australiano” ou o que significa ser um verdadeiro aussie (ou ozzie). Por outro lado, infelizmente às vezes acontecem algumas confusões de alguns idiotas racistas que, ao invés de entrarem no clima de paz e união, entram na onda de racismo e briga contra estrangeiros, provavelmente alimentados pelo álcool.

Para comemorar a data vários jornais e revistas fizeram uma lista de marcas e coisas verdadeiramente australianas (truly Ozzie). Vou pegar esse bonde e colocar algumas aqui:

Qantas (cia aérea)

Quem veio ou procurou passagens para vir a Austrália já se deparou com a Qantas – aliás, não é difícil esquecer o logotipo da empresa, vermelho com um canguru pulando no meio. Para quem não sabe, Qantas significa Queensland and Northern Territory Aerial Services Ltd (lembra? Queensland é o estado onde Brisbane é a capital, e Northern Territory é outro estado australiano). Atualmente essa companhia aérea voa para todos os continentes do mundo e, até ano passado, o trajeto Brasil-Australia e vice-versa parava em Santiago, mas agora a conexão mudou para Buenos Aires.

Pavlova

É uma torta com cobertura de suspiro e frutas. Mas existem controvérsias e os neo-zelandeses falam que é uma invenção deles e não dos australianos (assim como o Russel Crowe que os australianos teimam em falar que é aussie, mas na verdade nasceu na Nova Zelândia). A torta é boa, mas não é a minha preferida.





Torta de carne (a famosérrima Meat Pie)


Enquanto nós brasileiros temos bolinho de bacalhau e coxinha de galinha, eles tem a meat pie que é tipo uma torta pequena de carne – mas tem vários outros recheios como frango com queijo, carne e bacon, etc. Parece bastante com a nossa empada com um tamanho um pouco maior, mas é menos farofenta e me parece ser mais gordurosa.





Lamington


Bolo de baunilha coberto de chocolate e raspas de coco. Chamado assim por causa do Barão de Lamington, que foi governador de Queensland entre 1896 e 1901.





Green and gold


Acho que todo mundo já sabe que as cores oficiais da Austrália também são o verde e dourado (quem nunca viu o time de futebol australiano jogando na Copa do Mundo ou qualquer australiano em alguma Olimpiada?). As cores tornaram-se oficiais em 1984 pelo governador geral da Austrália, e são as cores de uma árvore muito comum por aqui, a Wattle Tree. Outra teoria diz que o verde vem da natureza e plantas - assim como o nosso - e o dourado, do outback australiano.


Vegemite

Já comentei sobre Vegemite no post sobre as manias dos australianos, e uma delas certamente é essa pasta preta de levedura. Acho horrível! Mas o que era para ser um ícone australiano na verdade virou americano, já que a marca Vegemite foi comprada pela multinacional Kraft Foods.








Tim Tams

Um biscoito de chocolate que os australianos amam. Tem até um jeito bem ozzie de se comer: primeiro, morda os dois cantos, um de cada lado. Em seguida, use-o como um canudo para beber o café. O calor do café vai derreter o chocolate e ele vai ficar parecendo uma calda de chocolate quente (faz a maior bagunça, mas é uma delícia).




Churrasco Australiano


Assim como no Brasil o clima australiano permite às pessoas relaxarem no quintal de casa com uma refeição feita em um grill. Aliás, a churrasqueira mais comum aqui é com grill e a gás, e não com carvão como a nossa (algumas pessoas também usam churrasqueiras com carvão, mas poucas). Tudo para australiano é motivo para ter um churrasco (e beber, claro), e no Australia Day a maior tradição de todas é justamente fazer um.



Caminhonete (ou Ute)

Sabe aquele carro com caçamba de caminhão e frente de sedã? Dizem que nasceu na Austrália em 1933 quando uma australiana escreveu uma carta para o Gerald Ford dizendo: "Can you build me a vehicle that we can go to church in on Sunday without getting wet, and my husband can use it to take the pigs to market on Monday?"
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Bundaberg Rum

Se tem alguma coisa nessa vida muito, mas muito australiana mesmo é o Bundaberg Rum, produzido na cidade de mesmo nome aqui no estado de Queensland, a 380 km ao norte de Brisbane. Não por acaso Bundaberg (a cidade) tem uma grande produção de cana-de-açucar, o que facilmente gera os 37% de puro álcool dessa bebida que cai como uma luva na cachaceira alma australiana. E, pior, eles adoram misturar esse rum com coca-cola (irc, mais doce impossivel!) - aliás, voce pode encontrar latas de "mixed drinks" já prontas sendo vendidas nas BWS (aquelas lojas que vendem bebidas alcoolicas - se voce ainda nao conhece, leia esse post). Segundo o site, Bundaberg Rum é Truly the Famous Aussie Spirit (repara no trocadilho: spirit, alem de espirito, significa bebida "quente" como whisky, vodka, tequila, etc).