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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Border Security

Border Security é um reality show do canal de TV australiano Channel 7 que mostra o trabalho de “segurança na fronteira” feito pelos agentes de imigração, pela alfândega e do serviço de inspeção de produtos que chegam à Austrália. Eu adoro, tem muita ação, reações emocionais inesperadas, frieza dos agentes, truques inesperados dos passageiros/turistas/etc desmascarados... é um programa que mostra até que ponto o ser humano pode chegar para conseguir imigrar para a Austrália, ou traficar drogas, ou para trazer algum produto escondido para o país.

Vou citar alguns casos que já vi para você entender melhor o reality show. Ele mostra, por exemplo, quando tem um vietnamita suando em bicas tentando entrar na Austrália que parece meio suspeito de estar trazendo drogas – o programa mostra ele sendo parado, revistado, interrogado até acharem ou não drogas nele. O programa também mostra um casal vindo da China cheio de ervas medicinais que preenche o formulário da alfândega dizendo que não estão trazendo nada “proibido” mas depois acabam sendo descobertos e fingem que “não entenderam” o que estava escrito. Ou um ex-presidiário da Nova Zelândia com um vasto histórico criminal tenta entrar na Austrália, acaba sendo parado e interrogado, e tem que dar justificativas para a sua vinda a Austrália e, no final, qual é a decisão da imigração: se deixa ou não ele entrar no país. Ou mostra uma mulher vindo da Malásia que diz ser turista mas que não tem um pingo de dinheiro e que, no final, descobre-se que ela obviamente vai procurar emprego ilegal na Austrália por isso ela acaba sendo mandada de volta pra Malásia. Ou mostra um pacote vindo do Brasil que passa pelo raio-x (90% da correspondência internacional que vem para a Austrália passa por raio-x), lá eles verificam algum produto suspeito dentro do pacote, os agentes australianos o abrem e descobrem que dentro do inocente livro infantil tem 250 gramas de cocaína escondida (esse exemplo é real e apareceu no programa da semana passada).

A Austrália é um dos países com a entrada mais restrita do mundo: praticamente todas as nacionalidades precisam obter visto antes de entrar no país (para alguns países o processo é mais fácil - apenas pela internet -, para outros, como o Brasil, é mais difícil onde até para obter visto de turista é necessário mostrar, por exemplo, demonstrar prova financeira de que se tem condições de bancar a viagem). Além disso, por ser um continente-ilha com uma fauna e flora únicos no mundo (vide cangurus e coalas que só existem aqui), o país tem a quarentena, que é a proibição da entrada de qualquer tipo de comida, planta ou produtos animais – isto por que esses produtos podem trazer diversas doenças e pestes para o país (aqui está a lista do que se pode ou não se trazer para cá). Além é claro, de obviamente não se pode entrar com qualquer tipo de droga, o que muita gente tenta fazer mas acaba sendo pega.

A maior parte do programa é filmado nos aeroportos de Sydney e Melbourne mas às vezes ele também mostra casos nos aeroportos de Brisbane, Perth, nos portos, nos correios, batidas nos lugares suspeitos de estarem empregando estrangeiros sem visto de trabalho, ou o trabalho da alfândega nos barcos ancorados no norte da Austrália (perto da Indonésia e Papua Nova Guiné).

Não é sempre que acontece alguma coisa: às vezes, nada acontece e a pessoa é liberada sem nenhum problema. Às vezes não. Os casos que mais me impressionam são os das pessoas que tentam traficar drogas. Os agentes da imigração suspeitam, por exemplo, de pessoas do sudeste asiático que saíram e voltaram da Australia umas quatro vezes nos últimos seis meses e que acabam permanecendo apenas três dias na Austrália sem nenhuma explicação aparente. Em 90% dos casos eles estão carregando alguma droga dentro deles. Os agentes dos aeroportos já estão carecas de saber disso, por isso eles detectam rapidamente quem pode ser um traficante. Nos correios existem muitos casos de latas lacradas com drogas dentro (geralmente eles pesam as latas e o peso é bem diferente do que está escrito no rótulo) ou, como citei no exemplo do livro infantil que veio do Brasil, os traficantes tentam esconder as drogas entre a capa e a primeira página (que são coladas mas que tem a droga escondida por dentro), em tecidos de tapetes ou roupas, em maquiagem, enfim, vale tudo.

É claro que existem controvérsias sobre o programa. Em seu livro sobre a indústria de Relações Públicas na Austrália o escritor australiano Bob Burton reclamou que na edição do programa é bem provável que eles retirem os trechos que mostram os erros do governo e, com isso, parece que o governo está sendo justo e efetivo na proteção das fronteiras. Pra mim isso é óbvio: é claro que acontece preconceito contra asiáticos e indianos, grosseria, ameaças e etc - ninguém é bonzinho, muito menos australianos que trabalham “protegendo fronteiras”.

Fora isso eu acho um tremendo exagero essa política de quarentena – não se pode trazer nenhum tipo de comida pra Austrália, nenhuma mesmo, nada. Outro dia em um programa um músico cubano trouxe pra Austrália um pandeiro que tinha sementes secas e envernizadas penduradas em volta, estilo aqueles colares e pulseiras que os índios fazem e que se vende em qualquer canto do Brasil. O tal do pandeiro não pôde entrar e ficou retido. O cara quase chorou pedindo pelo amor de Deus, que era o intrumento de trabalho dele, que era exagero etc e tal, mas não teve jeito, ficou sem.

Apesar de ser um reality show, duvido que ele retrate a realidade nua e crua. E também acho difícil ter um programa do gênero no no Brasil, que tem uma realidade (e, principalmente, uma Polícia Federal) bem diferente da australiana. Se é politicamente correto ou não eu não sei - mesmo assim, o programa continua sendo bem interessante.

Neste link do You Tube você pode ver alguns trechos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Fundamentos da economia australiana

Esse post nao foi escrito por mim, e sim, pelo Pedro Junqueira que mora ha quatro anos na Australia e eh autor do Talking Point, blog especializado em economia. Achei legal postar aqui para dar uma ideia geral sobre como funciona a economia australiana.

Recebi a revista BRW com a lista das 1000 maiores empresas da Australia por faturamento. É a versão australiana da brasileira Exame Maiores e Melhores e da Fortune 500.

O total de faturamento das 1000 maiores empresas australianas totalizam AUD 1,6 Trilhão.

Começando a lista de cima para baixo, ou seja, da maior empresa para a menor nao demorei muito pra chegar em 25% de todo o faturamento australiano. Pra ser mais preciso apenas 9 empresas são responsáveis por 25% do faturamento.

Olhando para estas empresas da pra entender um pouco quais são os fundamentos da economia, vide tabela abaixo:

Lógico as duas maiores empresas australianas são mineradoras, que é o carro chefe da economia. Logo em seguida as duas maiores empresas de varejo, seguida dos 4 maiores bancos, que alias so tem 6 na Australia, e para completar a lista um semi-monopolio ex-estatal indo de mal a pior.

Alem de dar pra entender bem os fundamentos da economia australiana vendo esta tabela, que alias nem perdi muito tempo olhando o resto da lista, eu fiquei um pouco preocupado com os riscos que a economia tem dependendo destas empresas para a sua prosperidade.

Começando pelo topo da lista. A Australia tem surfado na prosperidade advinda de minérios nos ultimos 200 anos, ou mais acentuadmente nos últimos 10 anos devido a forte demanda por commodities minerais. Isso tem deixado o dolar australiano forte e praticamente tem sucateado a industria australina.

Não precisa ir mundo no tunel do tempo para sentir a diferença. Em 2000 Cerca de 50% dos carros vendidos na Australia eram feitos localmente. Hoje isso é menos que 20% (por volta de 18%).

Com tanta prosperidade os importados invadiram a Australia. O desemprego chegou a 3.9% em 2008 e isso fez com que a imigração e a demanda por profissionais qualificados crescesse exporencialmente a partir de 2004. Uma das consequencias de tanta prosperidade foi o aumento do credito, do consumo e a inflação nos preços dos imóveis.

Não estou dizendo que isso tudo é ruim, alias é muito bom e eu apreveitei a onda boa nos ultimos 4 anos, mesmo com a crise que atingiu o mundo em 2008. O que quero chamar a atenção é que esta prosperidade pode despencar como um castelo de cartas a qualquer momento.

O perfil destas empresas no topo explicam este fenômeno. As empresas de varejo Wesfarmers (Coles) e Woolworths (Woolis), que é praticamente um duopolio com 60% das vendas do varejo, explicam os australianos não só são refem do duopolio, mas de sua própria furia consumista.

Os bancos explicam a inflação das hipotecas das casas que fez com que o balanço dos bancos inflassem. A midia vive dizendo que os bancos australianos são solidos, mas o CBA, que é o maior deles mantem apenas 2% do dinheiro de deposito em caixa, o resto esta em sua maioria em emprestimos imobiliarios e outros investimentos tipo títulos da dívida grega e por ai vai.

Enfim, a economia australiana, vai bem, obrigado, vivendo de ilusões, mas basta um espirro na China que o castelo de cartas cai, começando pelas mineradoras, mercado imobiliário, bancos e consumo…

Mas os detalhe disso vou deixar para outro post. A começar pela bolha chamada CHINA.

Mais aqui.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Robin Willians X Kevin Rudd

E o Robin Willians hein, sempre dando mancada esse cara! Jah nao chega aquele comentario que ele fez no programa do David Letterman sobre o Rio assim que ganhamos as eleicoes para sediar as olimpiadas de 2016: "enquanto Chicago enviou a Michelle Obama e a Oprah, o Rio mandou 50 strippers e um punhado de poh (cocaina)". Na epoca a controversia foi tao grande que o COB pensou em processar o ator.

Parece que ele nao aprendeu pois essa semana - logo apos uma viagem a Australia - ele saiu com mais uma, tambem no Letterman, e dessa vez, sobre os australianos. O comentario? "Australians are basically English rednecks" (ou seja, seria mais ou menos como dizer que os australianos sao os "caipiras ingleses"). E nao parou por aih, veja soh:

He added that it was an "unusual country" and that "if Darwin had landed in Australia, he'd have gone, 'I'm wrong. I don't know what I was thinking.'

"You look at some of these animals and realise there was an open bar in heaven on the last day," he said. "Most of the animals down there can kill you. They have a snail that can fire a poison dart."

Among the things he took aim at was the Australian football, which he likened to "rugby with a thong". But he backtracked a little. Williams said that Australians are "lovely, they're really sweet" but with a "rough and tumble" attitude.

Os comentarios nao agradaram ao primeiro ministro australiano Kevin Rudd que, ao rebater em uma entrevista a uma radio australiana, piorou a situacao: "First of all, I think Robin Williams should go and spend a bit of time in Alabama before he frames comments about anyone being particularly redneck."

Hahaha, que figura esse Rudd, como eh que ele responde uma coisa dessas? Obvio que rolou uma controversia - dessa vez, com os americanos do Alabama. Nessa pelo menos o prefeito do Rio Eduardo Paes, quem diria, se saiu melhor pois respondeu somente "O Willians eh somente um bom ator, o que ele pensa nao muda nada."

Bem, depois dessa ainda teve a treplica com o Robin Willians rebatendo o comentario do Rudd: “Mr Rudd, I apologise, it's linguistics; I would like to modify my terminology and say: English Good Old Boy." “Please let me come back to Australia without a cavity search, and if not I'd love to go to a strip club with you in New York.” (essa foi uma referencia ao fato que, durante as eleicoes australianas de 2007, descobriram que o Rudd, durante uma estadia oficial em Nova York, tinha ido para um strip club com os dinheiro do governo).

Ah, e tem mais: os proprios australianos acharam ridicula a resposta do Rudd e, em uma entrevista a um jornal, a pergunta foi feita: australiano, voce se acha um redneck ingles? 55% dos autralianos disseram SIM! Pelo menos eles tem mais senso de humor que o primeiro ministro...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Imigração australiana fecha as porteiras

Resumo das matérias do jornal O Dia Online e do Terra sobre as mudanças anunciadas ontem, dia 8 de fevereiro, pelo ministro de imigração australiano (Department of Immigration and Citizenship) :

O Governo da Austrália resolveu mudar as regras de concessão de residência a estrangeiros para conter o fluxo de imigrantes para o país. O ministro da Imigração australiano, Chris Evans, informou que a lista de profissões em falta no país vai ser abolida e a política de entrada de estrangeiros será concentrada em pessoas com alta qualificação profissional. (nota minha: antes existia uma lista com certas profissões em demanda na Austrália - engenheiros, trabalhadores da construção civil, médicos, arquitetos, chefs de cozinha, carpinteiros, cabaleireiros... eram mais de 50 profissões. Se a sua profissão estivesse nessa lista você teria preferência no processo de imigração para a Austrália, que é baseado no sistema de pontos).

"Temos dezenas de milhares de estudantes cursando culinária, contabilidade e (curso de) cabeleireiro porque isso estava na lista e permitiu que eles conseguissem a residência permanente", disse Evans a uma rádio australiana. (nota: é verdade, existem milhares de pessoas - e muitos brasileiros que conheço - que só fizeram esses cursos para conseguir o visto. Uma vez conseguido o visto permanente, essas pessoas vão trabalhar em outra área. O Aaron, meu marido que é chef de verdade, tinha horror a essa política, já que inundava o mercado com chefs que não sabiam nem segurar uma faca e colocava o salário dos chefs "reais" lá embaixo).

As novas prioridades vão incluir médicos e enfermeiras, além de engenheiros e profissionais da mineração, setor que encontra dificuldades para atender a crescente demanda por matéria-prima da China.

A mudança de política se junta a outras medidas introduzidas recentemente e que marcam um endurecimento na política de imigração do país (nota: depois da crise econômica os australianos ficaram com mais medo de terem menos empregos e deles serem tomados pelos estrangeiros. Junto a isso, esse é ano de eleição na Austrália, e obviamente essa política de imigração mais fechada agrada muito aos votantes).

Desde o final do ano passado, o governo passou a fazer novas exigências para a concessão de vistos a estudantes estrangeiros.

A renda mínima que um estudante tem que comprovar através de extratos bancários do seu o países de origem subiu de R$ 19 mil para R$ 29 mil por ano - uma média de R$ 2,5 mil por mês.

Ao solicitar o visto nas representações consulares australianas, além de apresentar os extratos bancários, os estudantes têm que apresentar documentos como matrícula em universidade ou comprovante de trabalho fixo, para provar que tem vínculo com o país de origem e condições financeiras de se sustentar na Austrália.

O Brasil é o sexto país que mais envia estudantes anualmente para a Austrália, atrás da Índia, China, Nepal, Coreia do Sul e Tailândia, respectivamente.

Informações oficiais direto do site da Imigração da Austrália aqui.

Mais, em inglês,  no
Daily Telegraph e ABC News.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A história da gaúcha que morreu em Sydney

É o pesadelo de qualquer mãe ou pai: a sua filha vai morar do outro lado do mundo para estudar, fica na Austrália por três anos e, de repente, vira manchete nos jornais por ter sido encontrada morta, com apenas 22 anos de idade, no apartamento de 1,7 milhões de dólares de um neurocirurgião. O corpo foi descoberto quando o Dr. Suresh Surendranath Nair não apareceu para uma cirurgia e seus colegas chamaram a polícia, que arrombou a casa e encontrou o corpo da brasileira.

O caso já está na imprensa há algum tempo: ela foi encontrada morta no dia 21 de novembro passado e, desde então, já rolou muita especulação sobre o assunto. Suellen Domingues Zapua não trabalhava e recebia uma mesada dos pais para se manter e concluir o curso de Turismo e Hotelaria. Após dois meses e meio de investigação descobriram que ela morreu de overdose de cocaína.

Segundo a imprensa australiana tudo indicava que a menina era prostituta de luxo, mas a família e os amigos ouvidos falaram que era impossível – ou, se fosse verdade, seria o segredo mais bem guardado da história. Por outro lado, os vizinhos desse neurocirugião falaram que era muito comum ele receber a visita de “escorts” e várias garotas de programa foram vistas andando pelo prédio. Em fevereiro do ano passado outra menina de 23 anos (essa prostituta comprovada) morreu de overdose no hospital após consumir drogas no apartamento desse mesmo médico. O caso voltou para a midia hoje pois o médico foi finalmente acusado da morte delas duas.

Participo de uma comunidade na internet sobre a Australia composta por brasileiros e esse assunto gerou um acalorado debate: algumas pessoas acharam um absurdo a imprensa australiana manchar a reputação da menina dessa forma, afinal,  ela não era prostituta de jeito nenhum e que ela deve ter bebido algo em algum bar (o famoso Boa noite Cinderela) e, drogada por outra pessoa, não tinha consciência sobre o que estava fazendo. Outra coisa que muitos falaram foi que, como nós brasileiras temos uma péssima reputação mundo afora, fica muito mais "fácil" a imprensa australiana falar que a menina era prostituta – afinal, quem não vai acreditar? Alguns brasileiros querem limpar a imagem da Suellen e já até criaram uma página na internet para que as pessoas coloquem seu depoimento sobre a menina, forçando a imprensa a fazer uma “limpeza” na imagem que foi inicialmente propagada.

Falando tudo isso eu me sinto mexendo numa casa de marimbondos. Sinceramente, não conheço a menina, não conheço a família dela, não conheço nada e nem ninguém, só o que li nos jornais, no Orkut, em sites etc. Não posso dizer que ela era prostituta, que ela não era, quem ela era, quem não era, tudo o que eu falar será mera suposição com base nos fatos relatados por outros.

O que eu acho disso tudo é que o caso nos ensina muito. Primeiro, a não acreditar em tudo que se lê. A duvidar, e isso inclui duvidar também da bloguista aqui que vos fala - não por que eu sou uma mentirosa-manipuladora, mas por que, como falei na introdução desse post aqui, cada um inventa a novela e os atores na sua própria cabeça, e isso inclui jornalistas, escritores, bloguistas, engenheiros, garçons, mães de família – todo mundo. Mas é claro, jornalista deve apurar fatos, e é isso que deveria diferenciá-lo das pessoas que não tem o dever de escrever coisas com fatos comprovados como eles tem. É pra isso que jornalista estuda, faz faculdade – para aprender a não dar a sua opinião e sim, se limitar a esses fatos (a não ser que seja um colunista-jornalista, mas aí é outra história).

Segundo, que a mídia faz o que quiser com a nossa limitada cabeça – manipula, distorce, cria, mente, inventa. E que, por outro lado, nessa época de internet e de constante bombardeio de informação a que estamos sujeitos, ficamos mais perdidos do que cego em tiroteio, sem saber em quem confiar, em quem acreditar.

Por outro lado, não posso dizer categoricamente que a menina não era prostituta. Como é que euzinha, sentada aqui em uma casa de um bairro de Brisbane, sem conhecer a menina, posso saber? A mente humana é capaz de manter os mais profundos segredos. Não estou, de forma alguma, querendo dizer que ela era mas quero dizer apenas que não posso dizer nada com certeza absoluta sem te-la conhecido, sem conhecer a sua historia e apenas embasando a minha opiniao, mais uma vez, nos outros. Eu estaria me colocando no lugar do jornalista que escreveu a história dizendo que ela era prostituta.

Concordo com a causa dessa pagina no sentido de que o veículo que publicou que ela era uma deveria esclarecer que essa não é uma informacao comprovada e que eles nunca deveriam ter falado isso. Um belo mea-culpa, de repente com entrevistas da mae, familia, amigos mostrando o outro lado dela. Mas por questões puramente jornalísticas, e não pela emoção do fato (tipo “ah, ela era brasileira e temos que limpar a imagem dela”).   

 

Olha, no final das contas, nessa história toda só sei que nada sei. Não posso afirmar absolutamente nada, apenas supor (afinal, sou humana), e qualquer que seja a minha suposicao, prefiro não fazer isso aqui. Prefiro manter na minha cabeça. E seria muito bom se os jornalistas fizessem o mesmo - e tivessem feito desde o inicio das reportagens sobre a morte dela. 

Que Deus a tenha.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Associações comunitárias: fazendo valer a voz do cidadão

Nesse final de semana li uma matéria excelente na revista Q Weekend, que vem encartada no jornal local de Brisbane The Courier Mail. O que mais me chamou a atenção foi a diferença nas atitudes de brasileiros e australianos na questão central da matéria, que falava sobre a imensa quantidade de associações comunitárias em Brisbane contra coisas que a população não concorda e não quer deixar acontecer.

Bem, deixa eu explicar melhor: como já falei algumas vezes pra vocês que lêem o blog (vejam aqui e aqui), Brisbane é a cidade que mais cresce na Austrália. Cresce em tudo: população, número de prédios, de necessidades estruturais (ex: novas antenas para telecomunicações etc), supermercados, lojas, calçadas, estradas etc etc. Muitas vezes esse crescimento acarreta, por exemplo, na demolição de prédios históricos que são substituídos por prédios altos e modernos, na construção de mega-supermercados em áreas muito tranquilas, na colocação de antenas de transmissão de dados perto de escolas... ou seja, inúmeras mudanças para a população que já mora aqui e que tem uma vidinha tranquila, e em sua maioria, pra eles essas mudanças são pra pior.

É claro que para o governo todas essas mudanças significam mais dinheiro arrecadado, então o que eles querem mesmo é que as mudanças sejam feitas. Os empresários, por questões óbvias, também. Quem sobra no meio, sem dinheiro e nem poder? A população. E o que eles fazem para serem ouvidos? Se juntam através dessas associações e assim, se defendem, gritam, esperneiam, mas não ficam quietos frente ao que acham que está errado, ao que podem mudar. E aí está a diferença. Por que uma coisa é reclamar numa mesa de bar, ou em um espaço de comentários de um grande jornal. Outra coisa é se organizar, juntar mais gente para dar mais força a sua defesa, ir ao local com cartazes e o escambau, fazer boicotes contra certas empresas que teimam em não ouvir a população, usar a internet como meio de comunicação para espalhar o assunto (nisso a Austrália tem vantagem já que tem muito mais gente conectada do que no Brasil). E é isso que eu não vejo nós, brasileiros, fazendo. Vejo um grito e outro, uma passeata aqui e acolá, mas não associações estruturadas e efetivas, fazendo cobranças ferrenhas e constantes sobre aquilo que não acham certo. Eu tomei a matéria como um belo exemplo pro Brasil. Sobre o poder que temos e que não usamos, e sobre como isso pode fazer a diferença.

Para ilustrar a matéria eles colocaram como exemplo uma nova antena de telecomunicações que a Telstra (a maior companhia telefônica da Austrália) quer colocar perto de uma escola em Mt-Cotha, que é o ponto mais alto de Brisbane. Muita gente não quer essa antena lá: moradores e pais das crianças que estudam nessa escola. O principal motivo deles não quererem a antena, veja só, é por que as ondas de rádio que transitam por ali podem afetar a saúde das crianças. Nada disso é comprovado cientificamente ainda, talvez essas ondas transmissoras nem sejam tão maléficas assim, mas por precaução – já que, daqui a 20 anos, podem descobrir que elas são altamente cancerígenas, por exemplo – eles preferem não expor as crianças.

Vasculhei a internet pra colocar o link pra matéria aqui, mas não encontrei (não é a primeira vez que não acho matérias online dessa revista). Seguem a foto da capa e da passeata contra a tal antena.

 
 

Foi mal mas ainda não tive tempo de escanear a matéria e colocá-la aqui. Se alguém gostou do assunto, escreve um comentário que eu faço isso tá? Matérias como essa são sempre boas e devem ser espalhadas por aí, por isso escanear não é perda de tempo, e sim, um investimento...